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Pr. Claudionor

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AS INGERÊNCIAS DE SATANÁS NO TEXTO BÍBLICO

Ter, 18/06/2019 por Claudionor de Andrade

Não faz muito tempo, assisti, pela Internet, a uma conferência do Dr. Wilbur Pickering acerca do texto do Novo Testamento. Entre outras coisas, todas úteis e bem alicerçadas, o irmão Pickering denunciou a forma parcial e irresponsável com que alguns críticos textuais vêm tratando a Palavra de Deus.

Os tais críticos, desde o achamento do Codex Sinaiticus, no século 19, puseram-se a decompor, insolentemente, um texto de comprovada qualidade, que a Igreja Cristã vinha usando desde a era apostólica. E, para justificar sua predação, alegam a antiguidade daquele estranhíssimo documento encontrado por Constantin von Tischendorf, em 1859, no mosteiro de Santa Catarina, bem no sopé do monte Sinai. Afinal, que outro manuscrito é mais antigo que o Sinaiticus? Se é antigo, sua autoridade sobre os demais é inquestionável. Pelo menos, é o que eles dizem.

Para essa gente, antiguidade é tudo. Se o vinho é velho, por que não desqualificar o novo? Todavia, a prudência recomenda-nos a desconfiar de certas paleologias. Nem todo vinho velho é bom. Alguns envelheceram porque não prestavam; ninguém os queria. O que diremos de Satanás? No Apocalipse, é identificado como a antiga serpente (Ap 12.9). E, por ser o Maligno bem mais antigo que nós, devemos ouvi-lo? O mesmo raciocínio deve ser aplicado a esses códices divinizados por sua caduquice.

Redigido em Alexandria, no Egito, por volta do IV Século, o Codex Sinaiticus traz várias partes do Antigo Testamento e quase todo o Novo Testamento. Até apócrifos, traz. Não fosse a omissão intencional dos últimos 12 versículos do Evangelho de Marcos, o texto neo-testamentário estaria completo; recomendável, jamais. Afirma o Dr. Pickering, os erros são encontradiços em suas páginas.

Como o irmão Wilbur mostrou, no lugar em que deveriam estar os versos restantes de Marcos, há uma lacuna. Aliás, segundo o respeitadíssimo estudioso, o mesmo ocorre com o Codex Vaticano. Se você tiver a oportunidade de examiná-lo, é a única lacuna existente em todo o material. O que teria acontecido? Que o texto foi escrito, não há dúvida. E que o mesmo texto foi posteriormente raspado, também não há dúvida. Mas por que foi apagada do referido códice justamente uma passagem autenticamente pentecostal? Que Deus nos ajude a responder a essa pergunta.

Um tanto ressabiado, busquei conferir a informação de Pickering. Fui ao fac-símile do tal códice que temos na biblioteca da Casa Publicadora das Assembleias de Deus. E, ali, entre o final de Marcos e o início de Lucas, deparei-me com a estranha lacuna. Para mim, alguém maldosa, ou acidentalmente, raspou aqueles doze versículos. Talvez, por essa razão, o responsável por aquela oficina de escribas achou por bem arquivar todo o material. Se você quiser conferir essa informação, examine-o na Internet; a imagem já está disponível.

Mas os problemas com esses “antigos e infalíveis” códices não se limitam a essa omissão. Aqui e ali, suas falhas erguem-se contra a genuína cristologia do Novo Testamento. Vejamos 1 Timóteo 3.16.

Na tradução de João Ferreira de Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original, lemos: “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória”. Se nos voltarmos, agora, à versão Almeida Revista e Atualizada no Brasil, deparar-nos-emos com uma modificação seriamente preocupante: “Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória”.
Na primeira versão, os tradutores usaram o Texto Recebido. Texto esse, aliás, utilizado pelos reformadores e pelos eruditos do rei Tiago, da Inglaterra. Quanto aos tradutores da segunda versão, usaram certamente o Codex Sinaiticus. A essas alturas, poderá você perguntar-me: “No segundo texto, a presença da segunda Pessoa da Santíssima Trindade já não está subentendida?”.

Você não precisa ser doutor em hermenêutica, para saber que esta mudança, aparentemente pequena e até sutil, traz sérias implicações ao texto sagrado. Em primeiro lugar, quem se manifestou em carne? O Filho de Deus, ou um ser humano qualquer? Isto porque, todos nós, filhos de Adão e Eva, entramos neste mundo manifestados em carne. Além disso, essa alteração transformou um texto que, no original, era uma cristologia descendente e dedutiva, numa cristologia indutiva e ascendente. Ou seja: da belíssima passagem de Paulo foi extirpado todo o significado original. Agora, ela pode ser aplicada a qualquer líder religioso como Buda e Maomé, ou Joseph Smith.

Numa próxima oportunidade, pretendo voltar ao assunto e trazer mais alguns exemplos de intervenções satânicas no texto sagrado. Quanto às versões mais fiéis aos originais, recomendo duas: a ARC, Almeida Revista e Corrigida e a Fiel. Que Deus nos ajude a preservar o texto sagrado conforme no-lo transmitiram os santos profetas e apóstolos de Nosso Senhor.

9 comentários

MIchel Oliveira

Belo texto, pastor Claudionor.

Ronald Brito

Pastor Claudionor, como poderia fazer-lhe uma pergunta que não tem parecer com este assunto? O senhor tem algum email?

Claudionor de Andrade

Irmã Sônia, a senhora observou muito bem. O texto no original, usado pelos reformadores e aceito por nós, diz "Deus se manifestou em carne" (1 Tm 3.16), conforme a Almeida Corrigida Fiel. Aliás, a CPAD já incorporou esta versão às suas publicações. Obrigado por seu carinho à nossa editora. Continue a orar por nós, para que exaltemos sempre o nome de Cristo.

RODRIGO CLEM

Parabéns nobre Mestre, " Deus se manifestou em carne" e ponto final. A Deidade de Cristo é irrefutável, tenho insistido, lutado para o crescimento teológico dos obreiros que comigo militam, Deus abençoe o senhor e sua intelectualidade que vem do céu. Abcs querido companheiro.

Claudionor de Andrade

Irmã Sônia e irmão Sandeives, estou pesquisando para responder-lhes as perguntas quanto às possíveis divergências dos textos bíblicos em questão. Obrigado por lerem o meu texto. Orem por mim. É uma honra tê-los por aqui.

Sonia Lira

A Paz do Senhor Pastor Claudionor! Sempre que tenho oportunidade, leio suas colunas. Nessa particularmente, atentei para sua advertência quanto a origem das Escrituras. E, que, o irmão recomenda a ARC e a Fiel. Pois bem. Na referida passagem de 1 Timóteo 3.16, consta na BEP (Bíblia de Estudo Pentecostal) o seguinte: "E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: AQUELE que se manifestou em carne foi justificado..." - pergunto: Estaria então, esta versão da Bíblia, errada? Grata.

Sandeives Lopes

Pior fizeram na Bíblia Linguagem de hoje pastor Cláudionor, trocaram a palavra porneia em Mateus 19:9, por moicheia, que é adultério. E no original não se encontra isso. Vemos que o próprio Deus nos textos faz diferença entre adultério e prostituição. Vemos exemplo disso em Mateus 15, Márcos 7 e Hebreus 13:4.

REGINALDO CONCEICAO DO NASCIMENTO

HO GLOORIA LOUVADO SEJA DEUS QUE DEUS TE ABENCOE PR CLAUDIONOR DE ANDRADE

Orestes Mariano

MUITO, INTERESSANTE.

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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