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Pr. Claudionor

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OBJETIVOS DA AUTÊNTICA CRISTOLOGIA BÍBLICA

Ter, 26/02/2019 por Claudionor de Andrade

Querido leitor,

Dou prosseguimento ao estudo da Cristologia Autenticamente Bíblica. Se você tem alguma dúvida a respeito, por favor, entre em contato comigo. Será um prazer estudarmos juntos a Palavra de Deus.

Em Jesus Cristo,

Pr. Claudionor de Andrade

 

OBJETIVOS DA AUTÊNTICA CRISTOLOGIA BÍBLICA 

A autêntica cristologia bíblica não tem por objetivo exercitar o intelecto, nem açular as polêmicas. Logo, estudamo-la não apenas para distinguir o Cristo sinótico do joanino, nem para saber a diferença entre o cristo descendente e o ascendente. Mesmo porque, só reconhecemos um Cristo. É claro que, no campo da teologia, tais distinções tornam-se imprescindíveis, quando intimados a apresentar as razões de nossa fé. Todavia, enfatizamos, os principais objetivos da cristologia não são propriamente acadêmicos, mas doxológicos, diaconológicos e coinonológicos.

Se ignorarmos a dupla natureza de Jesus Cristo, como poderemos adorá-lo como Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus? Mas, a partir do instante que passamos a vê-lo como o Deus que se fez Homem, nossa doxologia faz-se mais terna e racional. Doravante, não teremos dificuldades em adorar o Deus que, como Homem, tomou-nos o lugar no Calvário. Somente Ele é digno de toda a nossa adoração, louvor e ações de graça. É inconcebível, por conseguinte, o louvor ignaro, emotivo e meramente circunstancial. Que o nosso louvor seja um compêndio teológico distribuído em estrofes, rimas, pautas e claves.

No Apocalipse, as doxologias cristológicas são entoadas pelos seres angelicais em forma de perfeitíssimos credos, que, sucinta, mas profundamente, declaram a plenitude da pessoa e da obra de Jesus. Quando da apresentação do Livro Selado, os seres angelicais santificaram ao Cordeiro exaltadíssima cristologia: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Os concílios eclesiásticos tiveram de laborar, e muito, para atingir a perfeição desses cânticos celestes.

Além de uma doxologia racional, a cristologia autenticamente bíblica ajuda-nos a desenvolver uma diaconologia consciente, frutífera e amorosa. Afinal, como hei de trabalhar na vinha do Senhor se não lhe conheço a natureza, a procedência e a obra? Mas, se eu souber que Ele é, de fato, o Filho de Deus que se fez Homem, desdobrar-me-ei em orações, serviços e préstimos até que o seu Reino, vindo a mim, alcance os confins da Terra. É por esse motivo que as seitas, por mais que se esforcem, não conseguem resultados duradouros e proveitosos. Ainda que aparentemente cresçam, suas estruturas não suportam as provas e vendavais que acabam por nos surpreender na jornada para o céu.

 A verdadeira cristologia inspira-nos a desgastar-nos pelas almas perdidas. Quanto mais cristológico o discípulo, maiores as sementeiras e maiores ainda as colheitas. Sem uma cristologia perfeita, Paulo jamais teria evangelizado os gentios naquelas décadas minguadas e aflitivas. No encerramento de seu apostolado, regozija-se com os frutos de seu trabalho. Iniciando-o em Antioquia, agora plenificava-o na capital do Império Romano, sem impedimento algum.
 Se Jesus Cristo é o meu Senhor, que dificuldades terei em acolher, como irmãos, os que o servem? Este é o princípio da legítima coinonia do Novo Testamento. No Testamento Antigo, bastava ser israelita para usufruir, como filho de Abraão, dos benefícios de todas as alianças, concertos e promessas. Mas, agora, recebendo Jesus como Salvador, somos integrados imediatamente à família dos santos ainda que gentios e forasteiros.

Já no corpo de Cristo, que é a sua Igreja, descobrimos que, não obstante falarmos muitas línguas e dialetos, todos nos entendemos; embora provenientes das mais distantes e irreconciliáveis nacionalidades, somos todos concidadãos da Jerusalém Celeste; apesar das fronteiras que nos separam, congregamo-nos, agora, para adorar o Filho de Deus; e, conquanto limitados pelo tempo, todos já podemos desfrutar da eternidade com o Cordeiro que nos redimiu do pecado. Em Cristo, já não há judeu ou gentio, livre ou escravo, rico ou pobre. Todos somos um em Cristo.

Toda essa comunhão é viável, porque a cristologia que nos confiou o Cristo de Deus é perfeita, redentora e amorosa.
 

1 comentário

Sérgio Luis

"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem." João 4:23

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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