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Pr. Claudionor

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O QUE É O JESUS HISTÓRICO?

Seg, 24/12/2018 por Claudionor de Andrade

O alemão Albert Schweitzer (1875-1965) foi um dos homens mais talentosos, cultos e influentes de seu tempo. Além de se dedicar à teologia, era apaixonado pela música. Interpretando Bach, fez-se mundialmente conhecido. Mas, aos 30 anos, inconformado com as glórias de sua arte, entrega-se incondicionalmente à medicina. Agora, formado, ao invés de permanecer em sua terra natal, transfere-se, como missionário, ao Gabão, a fim de zelar pelos desvalidos da África.

Em 1952, é laureado com o Prêmio Nobel da Paz, em virtude de suas ações filantrópicas. No auge de seu ativismo, declarou: “A nossa civilização está condenada, porque se desenvolveu com mais vigor material do que espiritual. O seu equilíbrio foi destruído”.

Entretanto, foi como teólogo que Albert Schweitzer entraria tristemente para a história do pensamento cristão bíblico e conservador.

Aos ler as obras de Hermann Samuel Reimarus (1694-1768), de David Friedrich Strauss (1808-1874) e de Joseph Ernest Renan (1823-1892), pôs-se ele a reconstruir o que esses autores alcunhavam de Jesus Histórico. Seu método não diferia muito da metodologia de Bultmann, nem do esquema de Reimarus, Strauss e Renan. Se estes procuravam demitologizar o Jesus real do Cristo bíblico, Schweitzer buscou encontrar, no Cristo ideal das narrativas evangélicas, o Jesus existencial. Todavia, o cultíssimo alemão não encontrou nem um nem outro, porquanto existe apenas um Cristo – o meigo Jesus de Nazaré, o maravilhoso Filho do Altíssimo.

Apesar de sua boa intenção, Schweitzer acabaria por oferecer um desserviço à cristologia do Novo Testamento. Enquanto eu escrevia essas linhas, alguém me disse que Schweitzer, ao terminar suas pesquisas, apresentou à comunidade cristã da Europa um Jesus feito à sua imagem e semelhança. A estas alturas, uma pergunta faz-se imperiosa. Por que precisamos de um Jesus existencial e histórico, se o Cristo da fé, apresentado pelos apóstolos, é suficiente para redimir a história do mundo e a biografia de cada ser humano?   
Se lermos com atenção os evangelhos, haveremos de constatar: tanto os antecessores de Schweitzer, como o próprio Schweitzer, nenhuma razão tiveram de procurar o Jesus Histórico em uma narrativa, que, em momento algum, ignorou a história secular profana. Uma narrativa, aliás, que jamais deixou de realçar a exatidão e a verdade dos fatos. Logo, entre Heródoto e Lucas, não tergiverso: fico com os quarenta autores da Bíblia Sagrada, a inspirada e inerrante Palavra de Deus.

Mateus e Lucas souberam como situar a vida e a obra de Jesus em seu devido contexto histórico, cultural, sociológico e econônico. O primeiro evangelista menciona Herodes, o Grande, que, de acordo com fontes confiáveis, reinou sobre a Judeia entre 35 a.C. ao primeiro ano depois do nascimento de Jesus Cristo. O segundo, que faz questão de ressaltar o critério e a seriedade com que procedeu a sua pesquisa, cita o próprio imperador César Augusto (Lc 2.1). E, de acordo com a cronologia universalmente aceita, o potentado romano viveu entre 63 a.C. a 14 d.C. Como se não bastasse, ambos os evangelistas ainda registram o nome do governador Pôncio Pilatos, o magistrado que presidiu o julgamento do Filho de Deus (Mt 27.2; Lc 3.1).

Se Mateus e Lucas foram exatos e precisos, Marcos e João não foram indolentes nem descuidados em suas narrativas. Antes, mostraram um relato bem coordenado, rigorosamente lógico e bastante plausível. De acordo com a tradição, Marcos escreveu o seu evangelho de acordo com a ótica de Pedro, um dos apóstolos mais íntimos do Senhor. Quanto a João, sendo ele o discípulo a quem Jesus amava, tinha informações seguras e privilegiadas a transmitir aos seus leitores concernentes ao Mestre Divino. Ambos, inspirados pelo Espírito Santo, legaram-nos um testemunho fidelíssimo sobre a vida e à obra do Filho de Deus.
Os evangelistas souberam como situar Jesus na História Universal, no mundo greco-romano e na sociedade judaica de seu tempo. Nenhum anacronismo observamos quer nos evangelhos sinóticos, quer no relato joanino. Cabe-nos, agora, uma escolha: escolheremos os críticos que, sequer, reconhecem a Bíblia como a Palavra de Deus, ou elegeremos os evangelistas que não somente conheceram Jesus, mas que, com Ele, conviveram durante três anos? Que nos baste o testemunho de João para irmos concluindo este artigo:

“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida” (1 João 1.1).

Que o Senhor Jesus Cristo realizou sinais e maravilhas, não resta dúvida alguma. Sendo Ele Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus, fora ungido, aos 30 anos de idade, para curar enfermos, ressuscitar mortos, multiplicar pães e derrogar as leis da natureza por Ele criada. Os milagres registrados pelos evangelistas não são mito; aconteceram como foram narrados. Diante de Jesus Cristo, não há alternativas. Se não crermos nele conforme no-lo descrevem Mateus, Marcos, Lucas e João, jamais chegaremos às mansões celestes.

Entre o relato do Novo Testamento e a opinião de Albert Schweitzer e seus “ilustres predecessores”, não há o que se duvidar: “seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem” (Rm 3.4).

O Jesus do Novo Testamento, anunciado pelos santos apóstolos, é o mesmo que revolucionou o mundo e alterou a História. Apeguemo-nos à Palavra de Deus e desembaracemo-nos dessas tolices acadêmicas inspiradas por Satanás e seus refinados servos.

Sim, querido leitor, apesar de seus méritos filantrópicos, Albert Schweitzer intentou irreverente e blasfemamente contra a pessoa santa e augusta de Nosso Senhor Jesus Cristo.  

8 comentários

Aparecido massini

por mais que tentem negar ele sempre sera o homen que dividiu ....ac.e dc.ele e DEUS

VALDOIR LIMA DOS SANTOS

Sobre o assunto ( O Jesus histórico) gostei muito, que nós baste a palavra de Deus como fonte de informação sobre Jesus. Parabens pr. Claudionor!

Claudionor de Andrade

Irmão Ednei: A paz do Senhor Jesus. As teorias do "Jesus Históricos" eram mui apreciadas por Marx e Engels, dois notórios inimigos do Cristianismo. Sim, concordo com o irmão. Se não alertarmos nossos seminaristas quanto a essas asneiras, eles certamente perder-se-ão nos escaninhos das academias pós-modernas. Oremos pelos seminaristas.

Edinei Siqueira

Ainda sobre o assunto (O Jesus Histórico), sugiro que o nobre Pastor nos brinde com uma obra de sua lavra.

Edinei Siqueira

Tenho estudado sobre "O Jesus Histórico" há algum tempo e tenho um certo fascínio por este assunto, embora reconhecendo os exageros das teorias propostas por certos teólogos, principalmente os alemães. Tenho lido sobre as teorias de D. F. Strauss, Herman Samuel Reimarus, William Wrede e outros. Tendo em vista que muitos alunos de Seminários, ao ter um primeiro contato com este assunto, Quem sabe, está na hora de alguém escrever um livro alertando sobre os perigos da teologia liberal?

Sérgio Luis

"seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem” (Rm 3.4) Assim Cremos. Aleluia !!!

Claudionor de Andrade

Irmão Ednei: A paz do Senhor, Obrigado por suas palavras. Que Deus o abençoe por visitar-me nesta coluna. Meu intento é glorificar a Deus com os meus escritos. E, dessa forma, falar o que convém à sã doutrina.

Edinei Siqueira

Parabéns, Pr. Claudionor, por escrever sobre um assunto por demais desconhecido de boa parte dos cristãos.

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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