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Pr. Claudionor

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A Blasfêmia do Sr. Bultmann

Qui, 06/12/2018 por Claudionor de Andrade

Rudolf Karl Bultmann é um dos teólogos mais citados nas discussões cristológicas atuais. Nascido em 1884, esse alemão controverso e polêmico entrou para a história como aquele que se propôs a achar, na “mitologia” do Novo Testamento, o Cristo real. Depois de gerar grandes incredulidades e notáveis incrédulos, veio ele a falecer em 1976.

Será que a estas alturas o Sr. Bultmann já não terá descoberto que a sua “cristologia” não passa de um arremedo grosseiro do que escreveram, sob a inspiração do Espírito Santo, os evangelistas e demais apóstolos? A estas alturas, querido leitor, ele já deve ter descoberto, também, que o inferno, longe de ser um conto mitológico, é assustadoramente real. Espero que, em seus últimos momentos, haja ele se encontrado com o Cristo apregoado pelos apóstolos.

Seja lá como for, seus trabalhos causaram prejuízos incalculáveis à doutrina da pessoa e da obra do Filho de Deus, conforme a encontramos na Bíblia Sagrada. Quer no céu, quer no inferno, o Sr. Bultmann deve estar ciente de que a sua teologia não passa de uma blasfêmia contra aquele que declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.16).

Neste parágrafo, compadecido leitor, não posso ignorar a pergunta: “Como um homem tão brilhante chegou a uma conclusão tão esmaecida e errática?”. Juntos, ensaiemos uma resposta. Em primeiro lugar, o teólogo alemão jamais teve a mente de Cristo. Doutra forma, não teria declarado tão doutoral e tão catedraticamente:

“Será possível esperar que realizemos um sacrifício do entendimento, um sacrificium intellectus, para poder aceitar aquilo que sinceramente não podemos considerar verídico – só porque tais concepções estão contidas na Bíblia? Ou deveríamos deixar de lado os versículos do Novo Testamento que contêm tais concepções mitológicas e selecionar os que não constituem um tropeço desse tipo para o ser humano moderno?”.

Semelhantes asneiras não vieram por acaso. Rudolf Bultmann, com a disciplina própria dos germanos, pôs-se a ler metódica, mas tortuosamente, o Novo Testamento. Nessa infeliz empreitada, utilizou-se do método histórico-crítico, a fim de separar, da Escritura, a Palavra de Deus. Desse modo, segundo ele, seria possível eximir o texto sagrado das influências mitológicas judaico-helenas. Noutras palavras, queria ele extrair, do cânon formal, o cânon normativo. De posse das ferramentas conceptualistas de Abelardo (1079-1142), pôs-se a limpar a pessoa e a obra de Cristo daquilo que, a seus olhos, era puro e grosseiro mito: sinais, milagres e prodígios. Entre os mitos, ele incluiu a encarnação do Filho de Deus. O que sobrou desse maldito labor nada tem a ver com o Jesus dos sinóticos, nem com o Cristo joanino. Enfim, uma cristologia incapaz de redimir o ser humano.

Afinal, o que logrou o teólogo alemão com todo o seu trabalho? Um Jesus mentiroso, falso e enganador. Ora, se o Cristo não é o que a Escritura diz que o Cristo é, logo se conclui: o Cristo é o maior farsante da História. E, nesse crime, são cúmplices todos os autores do Novo Testamento.

Leitor querido, no que tange a Jesus, não há alternativas. Ou aceitamo-lo como o Cristo da fé, ou esqueçamo-lo por completo. O Jesus de Bultmann nenhum poder tem sobre o pecado; é um salvador que os apóstolos jamais pregariam.

Em 1941, Bultmann proferiu uma alocução para teólogos e pastores, que, mais tarde, seria publicada sob o título O Novo Testamento e a Mitologia. Nessa ocasião, ele declarou que a humanidade de seu tempo, por ter se maravilhado com tantos avanços extraordinários da ciência, já não podia aceitar o universo mitológico da Bíblia Sagrada.

O que diria Bultmann se voltasse à vida, agora, e constatasse que a Bíblia Sagrada continua tão viva e eficaz, hoje, quanto no século passado? Se a Escritura fosse um livro mitológico já estaria, de há muito, empoeirada nalguma biblioteca como a Ilíada de Homero. E se Jesus Cristo fosse um Deus como os olimpianos, ninguém estaria a procurá-lo. Todavia, Ele é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente. Ele salva, batiza com o Espírito Santo, cura os enfermos, opera sinais e maravilhas e, em breve, voltará para arrebatar a sua Igreja. Ele me alegra o coração, porquanto acha-se em minha alma.

Que os jovens acadêmicos não se deixem engodar por essas cristologias, que, engendradas no inferno, entulham-nos de apostasias o caminho para o Céu. A advertência de Paulo é consentânea e urgente: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo; porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl 2.8,9).
Maranata! Ora vem, Senhor Jesus!

6 comentários

Jonilson Lima Abreu

muito bom o texto . Pr Claudionor de Andrade, os seus ensinos me ajudam muito, tenho aprendido muito com o senhor, que nosso jesus continue lhe dando graça e muita sabedoria . a paz...

Danniel Dias Braga

Excelente texto! Esclarecedor!

Claudionor de Andrade

Irmão Carlos André: A paz do Senhor, Em primeiro lugar, agradeço-lhe por ter lido o meu artigo. Quanto o pensamento do Sr. Bultmann,, podemos resumi-lo desta forma: ele achava que a verdade moral e ética do Novo Testamento achava-se perdida num contexto mitológico e fantasioso. E, para trazer este núcleo moral e ético à tona, era preciso desembaraça-lo das peias literárias criadas pelos autores sagrados. Como se vê, o Sr. Bultmann não considerava a Bíblia a inspirada Palavra de Deus.

Alexandre Passos da Silva

Prezado Pastor Claudionor, Parabéns pelo excelente texto! Infelizmente muitos cursos de Teologia da atualidade, estão mais interessados em propagar loucuras de homens como Rudolf Karl Bultmann e tantos outros, do que no preparo genuíno de servos de Jesus Cristo para o bom exercício da verdadeira Teologia.

Sérgio Luis

Amado pastor, a paz do Senhor. Ontem e hoje têm se levantado "sábios" que querem trazer á luz um "novo" Cristo e, consequentemente, um "novo evangelho"; eles estão nos vários segmentos da sociedade: mídia,escolas,universidades,política e... púlpitos. Graças a Deus, ELE tem levantado homens e mulheres que,"POLITICAMENTE INCORRETOS" têm feito apologia ao verdadeiro Cristo e o genuíno evangelho. Deus nos abençoe.Amém.

Carlos André

A paz do Senhor pastor! Por gentileza, pode me explicar melhor sobre os ensinos deste homem? Gostaria de saber..!

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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