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Pr. Claudionor

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O Véu de Calipso

Qua, 16/05/2018 por Claudionor de Andrade

Apesar de as ninfas não terem acesso ao Olimpo, jamais deixaram de ser honradas na velha e fantástica Grécia. De fato, elas não podiam receber as deferências próprias de uma deusa como Atena. Não obstante, cada uma delas ostentava, impropriamente, um belo status: divindade. Noutras palavras, as ninfas e náiades não passavam de deusas genéricas. Entre essas “deusinhas” que se refugiavam nos rios, fontes, bosques e prados, havia uma especialmente querida à gente grega.

Calipso era a sua alcunha.

Filha de Oceano e de Tétis, a missão de Calipso era manter a religião grega envolta em mistérios. Afim de elevar sua reputação, essa oceânide metia-se numa gruta. E, ali, entre sombras e penumbras, fazia jus à etimologia de seu nome: escondia-se, ocultava-se, encobria-se. Três verbos que lhe quadravam muito bem. É o que significa, em grego, o vocábulo kalyptō.

Com a invenção de Calipso, os poetas Homero e Hesíodo emprestaram à idolatria helena duas qualidades que esta jamais tivera: mistério e teologia. A partir daí, ambos os vates, que também eram honrados como teólogos, transformaram uma idolatria vil e abjeta numa religião de oráculos dúbios e adaptáveis às mais absurdas circunstâncias.

Por que a religião grega era tida como sinônimo de mistério?

A resposta a essa pergunta, que nem chega a ser metafísica, não requer muito exercício de lógica. Na verdade, essa tosca e debochada idolatria jamais teve o que revelar. Seus louvados mistérios jazem na Theogonia de Hesíodo e nas Ilíada e Odisseia de Homero. E quanto aos oráculos? Assemelhavam-se aos horóscopos atuais; há interpretações para todos os estados de espírito, ocasiões e gostos.

Já nas páginas da Bíblia Sagrada, somos apresentados a um Deus que se deleita em revelar-se às suas criaturas morais – anjos e homens. Logo no introito do Apocalipse, o autor sagrado atesta a sublimidade da religião da Bíblia Sagrada: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu” (Ap 1.1,2).

Na religião autenticamente bíblica, não há espaço para ninfa alguma apresentar-se com mistérios e magias, porquanto aprouve a Deus revelar-nos, através dos profetas hebreus e dos apóstolos de Jesus Cristo, o que jazia oculto desde a mais remota eternidade. Além do mais, o que a mitologia chama de ninfa, a Bíblia trata por um nome mais apropriado: nulidade e demônio (1 Co 8.4). Logo, autores como Hesíodo e Homero, não obstante serem louvados como literatos, não passavam de promotores das trevas; mostraram o Diabo e seus anjos com as caras, carrancas e deformidades morais dos olimpianos. Sim, daqueles vadios adúlteros, invejosos e encrenqueiros; um retrato sem retoques de boa parte da sociedade greco-romana.

Certa vez, apareceu, na igreja em Tiatira, uma “profetisa” que, à semelhança de Calipso, dizia ter muitos e variados mistérios a ministrar aos santos. Na verdade, o que ela possuía eram bagaços e resíduos trazidos das profundezas de Satanás. Com essa história toda, ela arrastou uns à prostituição, outros ao adultério, e faltou muito pouco para não lançar a igreja toda à apostasia. Ela, porém, não ficou impune. O Senhor castigou-a severamente.

De vez em quando, aparecem Balaões e Jezabéis em nossos arraiais. Inventando mistérios, vendem revelações. E como as vendem caro! Depois de contaminar esse rebanho, vão procurar outros apriscos igualmente incautos. Não precisamos desses obreiros. Temos a Bíblia, a inspirada e inerrante Palavra de Deus. As coisas reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos. Quanto aos reais mistérios do Senhor (e eles existem!), pertencem somente a Ele.

Enquanto os gregos tinham a deusinha Calipso, genérica e sem valor algum, nós temos o Apocalipse, a coroação de todas as revelações do Deus Único e Verdadeiro. O Cristianismo é a única religião sem véu.

Que Deus nos guarde dos poderes das trevas.

1 comentário

Leo Costa

Ótimo texto!!!

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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