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Ciro Sanches Zibordi

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A Escatologia e o dia de finados

Qua, 02/11/2016 por Ciro Sanches Zibordi

2 de novembro é o dia de finados, um termo mais suave para mortos. O que a Bíblia, a Palavra de Deus, diz a respeito dos finados? Um texto claro e objetivo sobre eles é Hebreus 9.27,28: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”. De acordo com essa passagem do Novo Testamento, está ordenado que os seres humanos morram uma vez e compareçam ante o Justo Juiz. Mas isso não quer dizer que, imediatamente após a morte, as pessoas são levadas a um julgamento.

O que acontece com os finados entre a morte e o Juízo Final? Embora a vida após a morte ainda seja um mistério, a Palavra de Deus nos apresenta detalhes importantes a respeito desse estado intermediário. Todas as pessoas, ao morrerem — sejam as salvas em Cristo, sejam as perdidas por rejeitarem ao Salvador (cf. Jo 3.16) —, ficam sob o controle de Deus (Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 23.46). Os salvos em Cristo são levados ao Paraíso, no Céu (Fp 1.23; 2 Co 5.8; 1 Pe 3.22). E os perdidos, ímpios, vão para o Hades (hb. sheol), que não é a sepultura, e sim um lugar de tormentos (Sl 139.8; Pv 15.24; Lc 16.23).

Nos tempos do Antigo Testamento, Paraíso — por assim dizer — e Hades ficavam numa mesma região. E eram separados por um abismo separador, intransponível (Lc 16.19-31). Ao morrer na cruz, Jesus desceu em espírito a essa região e transportou de lá os salvos para o terceiro Céu (cf. Mt 16.18, Lc 23.43, Ef 4.8,9; 2 Co 12.1-4). Quanto aos ímpios, permanecem no Hades (uma espécie de antessala do Inferno), o qual não deixa de ser “um inferno”, um lugar de tormentos para a alma (Lc 16.23). Conquanto, em algumas passagens da Bíblia, o vocábulo grego hades tenha sido traduzido para “inferno”, o Hades e o Inferno final não são o mesmo lugar. O Inferno final é chamado de Lago de Fogo (Ap 20.14,15 [gr. limnem ton puros]); de “fogo eterno” (Mt 25.41 [gr. pur to aiõnion]); de “tormento eterno” (Mt 25.46 [gr. kolasin aiõnion]); e de Geena (Mt 5.22; 10.28; Lc12.5).

Diferentemente do Hades, o Inferno final está vazio. Ele começará a ser povoado quando Cristo voltar em poder e grande glória e lançar o Anticristo e o Falso Profeta no Geena, inaugurando-o (Zc 14.4; Ap 19.20). Em seguida, os condenados do Julgamento das Nações irão para “o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”, “o tormento eterno” (Mt 25.41,46). Mais tarde, será a vez do Diabo e seus anjos conhecerem o lugar para eles preparado (Ap 20.10). E, finalmente, após o Juízo Final, todos os ímpios estarão reunidos no Inferno final (Ap 20.15; 21.8).

Em Apocalipse 20.13 está escrito que o mar dará os mortos que nele há. E Jesus também afirmou que “vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz” (Jo 5.28). Onde quer que estiverem, os pecadores ressuscitarão para comparecer diante do Trono Branco. Segundo a Palavra de Deus, a morte (gr. thanatos) e o inferno (gr. hades) darão os seus mortos, os quais, após o Juízo Final, serão lançados no Lago de Fogo. O vocábulo “morte”, em Apocalipse 20.13,14, tem sentido figurado. Trata-se de uma metonímia — figura de linguagem expressa pelo emprego da causa pelo efeito ou do símbolo pela realidade —, numa alusão a todos os corpos de ímpios, oriundos de todas as partes da Terra, seja qual for a condição deles. Há pessoas cujos corpos foram cremados; outras morreram em decorrência de grandes explosões, etc. Todas terão os seus corpos reconstituídos para que, em seu estado tríplice (pleno), espírito + alma + corpo (cf. 1 Ts 5.23), compareçam perante o Juiz.

Entretanto, para que os ímpios compareçam ao Juízo Final em seu estado pleno, acontecerá a reunião de espírito, alma e corpo, os quais se separam na morte. Daí a menção de que “a morte” e também “o inferno” darão os seus mortos (Ap 20.13). Aqui, “inferno” é hades, também empregado de forma metonímica. A “morte” dará o corpo. E o “Hades”, a parte que não está neste mundo físico, isto é, a alma (na verdade, alma + espírito). Com base no que foi dito acima, podemos entender melhor a frase “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” (Ap 20.14). Isso denota que os corpos e as almas dos perdidos — que saíram do lugar onde estavam e foram reunidos na “segunda ressurreição”, a da condenação (Jo 5.29b) —, depois de ouvirem a sentença do Justo Juiz, serão lançados no Inferno propriamente dito, o Lago de Fogo.

Segue-se que a frase “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” tem uma correlação com o que Jesus disse em Mateus 10.28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno [geena] tanto a alma como o corpo” (ARA). Ou seja, as almas (“o Hades”) e os corpos (“a morte”) serão lançados no Geena. E quanto aos que têm morrido salvos, em Cristo? Graças a Deus, nenhuma condenação há para eles (Rm 8.1). Serão julgados também, é evidente, logo após o Arrebatamento da Igreja, mas apenas para efeito de galardão (Rm 14.10; Ap 22.12). Depois da ressurreição dos que morreram em Cristo, nunca mais haverá morte, o último inimigo a ser vencido (1 Co 15.26).

Apesar de já se encontrarem na presença de Deus, os salvos mortos em Cristo ainda não estão desfrutando do gozo pleno preparado para eles. Isso só acontecerá depois da ressurreição (1 Co 15.51). Seu estado agora é similar ao daqueles mártires que morrerão na Grande Tribulação (Ap 6.9-11). Esta passagem e a de Lucas 16.25 indicam que, no Paraíso, os salvos são consolados, repousam, estão conscientes e se lembram do que aconteceu na Terra (Ap 14.13). Contudo, após o Arrebatamento, estarão — no sentido pleno — “sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17).

Em 1 Tessalonicenses 3.13 está escrito: “que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos”. Isso significa que os santos, de todas as épocas, que estão com o Senhor, no Paraíso, virão com Ele, no Arrebatamento da Igreja. Como assim? O espírito e a alma (ou espírito + alma) deles se juntarão aos seus corpos, na Terra, para a ressurreição, num abrir e fechar de olhos (1 Co 15.50-52). Consolemo-nos com essas palavras (1 Ts 4.18). Aleluia! “Ora, vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).


Ciro Sanches Zibordi

29 comentários

Jessé Feitosa

Paz do Senhor Pr. Ciro, a minha pergunta é sobre quem seria os espíritos em prisão aos quais Jesus fez esta proclamação.

Helton Ferreira

A paz do Senhor nobre Pr Ciro! Quanto à manuteção da consciência no estado intermediário não resta qualquer dúvida, mas, quanto à afirmação de que, no estado eterno, os salvos não terão quaquer lemnbrança das coisas terrenas? Há, na Bíblia, base firme para esse pessamento?

CLEUZA COLDEBELLA

aprendo muito com os seus comentarios ,que Deus continue lhe abençoando.

Abner Souza

A Paz pastor Ciro Deus continue lhe abençoando e iluminando o senhor para trazer a riqueza dos textos bíblicos ao nosso coração!!

Ruy Bergsten

É importante que pessoas sábias como o irmão apresentem o conteúdo bíblico com unção e sabedoria. Que o Senhor Jesus continue abençoando sua vida e ministério.

Ciro Sanches Zibordi

Irmão Jessé Feitosa, a paz do Senhor. Penso que o texto de 1 Pedro 3-4, em si, apresenta algumas verdades. Peço-lhe que faça uma pergunta específica com base nos versículos citados, lembrando que neles se menciona que o Senhor Jesus, em espírito, fez uma PROCLAMAÇÃO aos espíritos, e não evangelização. Abraços.

Ciro Sanches Zibordi

Irmão Luciano, a paz do Senhor. De acordo com Apocalipse 20, a "segunda ressurreição", que é a da condenação, só ocorrerá após o Milênio. Os ímpios terão seus corpos reconstituídos para que compareçam ante o Justo Juiz, no último grande julgamento, o do Trono Branco. Abraços.

Luciano Silva

Pr. Ciro, quando a bíblia fala de "ressurreição dentre os mortos" isso só se aprica a justos não é mesmo? Em que ocasião, se dará a ressurreição dos que morrerão no Milênio? Será no mesmo momento do Grande Trono Branco,ou antes? Abraços!

Jessé Feitosa

Pastor Ciro paz do Senhor, como entender 1pedro 3.19-20;4.6

Ciro Sanches Zibordi

Entretanto, irmão Samuel Pereira Mendes, após a ressurreição, no dia do Arrebatamento da Igreja (1 Ts 4.16-18), o "homem interior" (espírito+alma), que estava no Paraíso, se reunirá ao seu corpo e, após a sua glorificação (Fp 3.20,21), nunca mais haverá tristeza (Ap 21-22), pois não se trata mais de um estado intermediário, e sim de um estado final. É a nossa glorificação (Hb 9.28; Rm 13.11).

Ciro Sanches Zibordi

Prezado irmão Samuel Pereira Mendes, a paz do Senhor! Penso que, no estado intermediário, o salvo se lembra do que ocorreu na terra e é consolado, assim como o Lázaro da história narrada em Lucas 16. Um texto que pode provar esse tipo de sentimento é Apocalipse 6.9,10. Aqui, as almas dos mártires da Grande Tribulação, plenamente conscientes, fazem menção do sofrimento que sofreram quando vivas. A paz do Senhor.

Pb Victor

Concordo plenamente com o Pr Ciro. oremos pelas pessoas que perderam os seu entes queridos, pois muitos neste dia ficam tristes precisando de consolo. Que o Espírito Santo console a todos!

Samuel Pereira Mendes

Continuando: no est intermediário teria eles lembrança daqui? ou seria logo apos a ressurreição no trib. de Cristo; se eles tem lembrança daqui não seria parte de um tormento como o rico estava a lembrar? posso aplicar o clamor dos mártires da grande tribulação em Ap. aos mártires da historia da Igreja antecedente a nos? e por fim pra entender o porque da minha pergunta; nao consigo conceber a ideia de entrando no descanso Eterno lembrando das coisas daqui; aceito resposta no email.

Samuel Pereira Mendes

Paz do Senhor leio seus artigos ate compartilho no face twitter etc.quanto a este assunto e em particular sobre a questão dos mortos em Cristo tenho 1 pergunta, mesmo já tendo uma ideia.se tivesse tempo iria expô-la mas vamos a pergunta. a historia do rico e do Lazaro; em nenhum momento Lazaro fala alguma coisa, Alguns usam Isaías 65v17 pra dizer que quem morre em Cristo não lembrara de nada, os mártires clamando em Ap. uma referencia aos da tribulação etc. em momento os mortos terão lembrancas?

Ciro Sanches Zibordi

Caro Cleber, no Novo Testamento, sono é um EUFEMISMO para a morte. Isso não significa que a alma dorme junto com o corpo. Em Lucas 16, na HISTÓRIA de Rico e Lázaro, e também em Apocalipse 6.9,10 vemos que as almas nunca dormem nem morrem. Elas estão sempre conscientes, mesmo após a morte do corpo. Grato por sua pergunta. Abraços.

Ciro Sanches Zibordi

Olá, Fakharudine Mutirua! É uma grande alegria para mim receber seu comentário desde Maputo, Moçambique. A paz do Senhor! Um grande abraço.

Ciro Sanches Zibordi

Caro irmão Jânio da Cunha Bastos, grato por sua pergunta. Penso que o Senhor Jesus cumpriu tal missão em espírito, antes de ressuscitar, pois disse ao infrator crucificado: "HOJE estarás comigo no PARAÍSO" (Lc 23.43). Se ainda tiver alguma dúvida, leia, por gentileza, todas as referências bíblicas que citei no texto, pois elas poderão lhe ser úteis. A paz do Senhor.

Caque Barbosa

Palavra abençoada. Deus continue de capacitando, Ciro.

Caque Barbosa

Palavra abençoada. Deus continue de capacitando, Ciro.

Caque Barbosa

Palavra abençoada. Deus continue de capacitando, Ciro.

Jânio da Cunha Bastos

Você disse: "Nos tempos do Antigo Testamento, Paraíso — por assim dizer — e Hades ficavam numa mesma região. E eram separados por um abismo separador, intransponível (Lc 16.19-31). Ao morrer na cruz, Jesus desceu em espírito a essa região e transportou de lá os salvos para o terceiro Céu (cf. Mt 16.18, Lc 23.43, Ef 4.8,9; 2 Co 12.1-4)". Esse deslocamento do "seio de Abraão" para o terceiro céu se deu durante o período em que Cristo esteve morto ou foi após a ressurreição e ascensão?

Fakharudine Mutirua

Muito bom pastor. Continue nos ensinando. Que o Senhor Jesus o proteja e guarde! De Maputo (Moçambique)

Clovis Grimaldo

Gloria a Deus! Essa é a minha esperança! Nisso eu acredito! Maranata!

Renato Gabriel

Muito bom esse estudo Pr. Ciro, sempre leio os seus comentarios e aprendo muito com eles! Deus abençoe grandemente a sua vida. A Paz do Senhor.

Cleber

Pr. Zibordi, e com relação ao "sono dos justos". Há quem creia que após a morte estaremos dormindo e esperando o juízo final...

Ricardo Coriolano

Belíssima explicação mestre. Esclarecedora. Deus abençoe. Forte abraço

Sérgio Luís

Pr.Ciro, a paz do Senhor. Texto claríssimo quanto à condição dos mortos,salvos ou não. Acredito que quando celebramos a memória de nossos irmãos que já dormem no Senhor, celebramos também a Deus.

Marcia Lima

Este estudo é maravilhoso. Que Deus continue te abençoando, pastor Ciro Zibordi.

Celio Marins

Louvo ao Senhor por tua vida, este estudo me acrescentou muito conhecimento, que o Senhor te abençoe Pastor Ciro Sanches Zibord.

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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