Colunistas

Ciro Sanches Zibordi

Ciro Sanches Zibordi

Halloween gospel? Precisamos de uma reforma!

Seg, 31/10/2016 por Ciro Sanches Zibordi

É lamentável que, no fim do mês de outubro, jovens cristãos se lembrem mais do Halloween — o Dia das Bruxas — do que da Reforma Protestante! Isso resulta do grande número de enganadores (autodenominados apóstolos, pastores etc.) que estão surgindo, os quais não priorizam o ensino das Escrituras, e sim a falaciosa Teologia da Prosperidade e os shows gospel. Nesses tempos pós-modernos ou, para usar uma expressão bíblica, nesses últimos dias, há muitos que se dizem cristãos chamando o mal de bem, e o bem de mal (Is 5.20). Vejo na grande rede pretensos ministros do Evangelho dizendo aos jovens cristãos que eles podem participar do Halloween sem peso na consciência. Ignora-se a relação dessa festa com o ocultismo e o satanismo.

Já existe até denominações evangélicas (evangélicas?) que, para não terem problema com a consciência, substituem festas pagãs por festas gospel, mantendo as características originais das celebrações. Por exemplo, a festa "jesuína" substitui a junina, e o "Jesusween" ou o "Elohin" são colocados no lugar do Halloween. Infelizmente, ainda há muitos jovens cristãos que desconhecem a importância da Reforma Protestante. Eles sabem que 31 de outubro é o Dia das Bruxas, mas não sabem que o que aconteceu, no mesmo dia, há quase quinhentos anos!

Na manhã de 31 de outubro de 1517, na véspera do Dia de Todos os Santos, Martinho Lutero, sacerdote, professor de teologia e filho de um minerador bem-sucedido, deu início à Reforma, oficialmente, ao questionar de modo contundente a autoridade papal, as indulgências e outros desvios da Igreja Católica Romana. Naquela manhã, Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg (pronuncia-se "vitemberk") um pergaminho que continha 95 declarações. Estas, conhecidas como teses, eram quase todas relacionadas com a venda de indulgências, pacotes caros pagos pelo perdão, inclusive das pessoas que já haviam partido para a eternidade.

Em junho de 1520, Lutero foi excomungado por uma bula — decreto do papa que continha o seu selo oficial —, mas em dezembro, com ousadia, ele queimou esse documento em reunião pública, à porta de Wittenberg, diante de uma assembleia de professores, estudantes e o povo. Em 1521, ele foi intimado a comparecer ante as autoridades romanistas, em Worms. E declarou: “Irei, ainda que me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados”. E, naquele ano, no dia 17 de abril, ele se apresentou à Dieta do Concílio Supremo, presidida pelo imperador Carlos V. Para escapar da morte, teria de se retratar. Mas ele não faria isso, a menos que fosse desaprovado pelas próprias Escrituras. E asseverou perante todos: “Aqui estou. Não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém”.

Considerado herege, ao regressar à sua cidade Lutero foi cercado e levado por soldados ao castelo de Wartzburg, na Turíngia, onde ficaria “guardado”. Ali, ele traduziu o Novo Testamento para o alemão, obra que, por si só, o teria imortalizado. Ao regressar a Wittenberg, reassumiu a direção do movimento a favor da Igreja Reformada, e a partir daí os princípios da Reforma Protestante se espalharam por toda a Europa, com ajuda de homens de valor, como Ulrico Zuínglio, João Calvino, Jacques Lefevre, João Tyndale, Tomás Cranmer, João Knox, etc. Assim como muitos teólogos estão fazendo hoje, os católicos romanos haviam substituído a autoridade da Bíblia pela autoridade da igreja. Eles ensinavam que a igreja era infalível e que a autoridade da Bíblia procedia da tradição. Os reformadores afirmavam que as Escrituras eram a sua regra de fé, de prática e de viver, e que não se devia aceitar nenhuma doutrina que não fosse ensinada por elas.

Prezado jovem, celebre a Reforma Protestante! Ainda que os reformadores não tenham sido perfeitos, ao combater as heresias romanistas, eles devolveram a Bíblia ao povo, que estava sem rumo. Nos dias de hoje, nesses tempos tão difíceis e trabalhosos, em que muitos estão brincando com o pecado e até com festas satânicas, quantos jovens estão dispostos a protestar contra as heresias verificadas no meio evangélico (2 Pe 2.1; At 20.28), à semelhança dos reformadores? Não é tempo de brincadeira! Chegou a hora de reformar o evangelicalismo e de fazer valer os cinco lemas da Reforma Protestante: somente as Escrituras; somente a fé; somente a graça; somente Cristo; somente a Deus toda a glória!

Ciro Sanches Zibordi

7 comentários

Marcelino

È lamentável que haja tão pouca instrução com respeito à história da Igreja, a partir do Pentecostes. Parece que conhecer a Reforma Protestante seja um privilégio dos líderes, quando esse conhecimento nos faz amar, ainda mais, a nossa eleição, tornando-nos ainda mais vigilantes e zelosos da Obra de Deus. Não entendo...francamente!

Sérgio Luís

A paz do Senhor, pastor Ciro. Querido irmão, infelizmente, estas aberrações são mais comuns do que gostaríamos. Sou membro há 30 de uma igreja fundada pelo pioneiro Gunnar Vingren, e nunca tivemos um evento em comemoração à esta data,e muito pouco ouvimos sobre o assunto em nossa congregação.

Eliane Araujo

Obrigada mais uma vez Pastor Ciro pela sua coerencia. aqui onde moro quase todos comemoram.Enfeitam casas e tem show de magicas e as criancas vem nas casas pediido doces.Como devo agir??Pensei em explicar sobre isso.Mas as criancas vao entender??

Jaii Silva Lopes

Paz do Senhor, Pastor Ciro Sanches! Infelizmente o que se vê nos dias de hoje , não é diferente do que se viu no Eden, onde o pecado se tornou mais atraente, que o sagrado . No Eden, o fruto proibido foi mais atraente para Eva. Em Jericó, uma capa babilônica, ouro e prata foram foram mais atraentes para Acã. Lá no Céu, insurgir contra a soberania de Deus, foi mais atraente para Lúcifer. É hoje para muitos Cristãos, se tornou mais atraentes ficar parecido com o MUNDO. Deus nos guarde ! Abra

Ademir Junior

Excelente artigo pastor. Parabéns

Sidnei

Amem.

Renato machado

É verdade pastor Zibordi, os jovens "crentes" da nosaa geração sabem de muitas coisas que acrescentam em nada a nossa fé. Mas não sabem sequer quem foram aqueles que deram suas vidas para que estivéssemos hoje aqui. Precisamos de uma reforma e de um avivamento bíblico com muita urgência. Se Deus não levantar homens como o senhor eu temo pelo futuro da igreja (instituição ). Sabemos que grandes avivamentos procedem grandes esfriamentos...

Deixe seu comentário







Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

COLUNISTAS