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Ciro Sanches Zibordi

Ciro Sanches Zibordi

Procuram-se Pregadores como Paulo

Ter, 28/07/2015 por Ciro Sanches Zibordi

Paulo trabalhava de dia e de noite, até cansar, a fim de garantir seu sustento (1 Co 4.12). E, em vez de ser aplaudido — como certos pregadores que são convidados para programas de entrevistas para fazer os telespectadores rirem —, ele era injuriado, caluniado e considerado o pior tipo de pessoa do mundo. O que fazia ele diante disso? Ele não revidava, mas dizia: “somos blasfemados e rogamos; até ao presente, temos chegado a ser como o lixo deste mundo e com a escória de todos” (v. 13). E não era um superpregador. Em diversas ocasiões, foi esbofeteado e não tinha moradia certa ou casa própria; e também passou fome, sede e nudez (1 Co 4.11; Fp 4.10-13).

Ele enfrentou a morte várias vezes. Em alguns momentos, chegou a pensar que a sua hora de partir havia realmente chegado (2 Co 1.8,9), pois passou por constantes sofrimentos e angústias por causa das igrejas e de seus membros, individualmente. Ele se preocupava tanto com eles, a ponto de lhes dizer: “em muita tribulação e angústia do coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho” (2.4).

Às vezes, Paulo gostava de apresentar seu curriculum vitae. Mas o que mais valorizava não era seu cabedal como fariseu e sua fama no judaísmo. Ele gostava de fazer menção das suas aflições, privações e angústias, além dos açoites, prisões, tumultos, vigílias e jejuns em prol da obra do Senhor (2 Co 6.4-10). No seu currículo constavam também os açoites recebidos dos judeus pelo menos cinco vezes! E não somente isso. Ele lembrava os seus irmãos em Cristo de que fora fustigado com varas três vezes, sofrera três naufrágios, um apedrejamento, perigos de salteadores e assassinos, etc. (11.23-29).

Muitos pregadores que querem viver como celebridades realmente não devem apreciar a vida de Paulo, que vivia sob constante ameaça de morte, sendo considerado um espetáculo para o mundo, um louco, desprezível e fraco (1 Co 4.9,10). Ao contrário dos animadores de auditório, pregadores malabaristas e milagreiros, Paulo era avesso à ideia de ter um fã-clube. E, por isso, evitava a ostentação e o emprego de linguagem rebuscada em suas ministrações, pregando somente a Cristo crucificado e evitando batizar muitas pessoas (1 Co 1.14-23; 2.1-5). Ele não queria que as pessoas se agregassem à igreja por causa de seus talentos e erudição, e sim pelo poder do evangelho (1 Ts 1.5).

O pregador Paulo passou muitas privações, tendo de trabalhar arduamente para não ser pesado às igrejas; e a responsabilidade de cuidar delas pesava constantemente sobre seus ombros. Não obstante, ele relutava em receber oferta das igrejas para não dar motivo para o acusarem de ser mercenário. “Pequei, porventura, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos anunciei o evangelho de Deus?”, disse ele, ao se opor aos falsos apóstolos que exploravam a igreja de Corinto (2 Co 11.7-9). Paulo não vivia da “itinerância”, ao contrário de muitos, hoje, que reivindicam isso e até afirmam que a pregação itinerante é uma profissão como qualquer outra. Ele trabalhava para se sustentar, visto que muitos criticavam os pregadores que viviam do evangelho e diziam erroneamente que eles não tinham o direito de receber sustento da igreja (1 Co 9.1-12).

É evidente que, a despeito de pregadores e ensinadores que se prezam não exigirem cachê para expor a Palavra, bem-aventurada é a igreja que reconhece e honra os ministros do Senhor. O Mestre dos mestres, Jesus Cristo, inclusive, disse: “qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão” (Mc 9.41). Paulo se recusava a receber salário e até algumas ofertas das igrejas — mesmo sabendo que “Digno é o obreiro do seu salário” (1 Tm 5.18) — para evitar o falatório e tudo que pudesse pôr em dúvida o seu objetivo de pregar a Cristo. Quantos pregadores, hoje, estão dispostos a trabalhar para sustentar a família e se dedicar de graça, sem nada exigir, à pregação do evangelho?

Paulo era um pregador muito diferente, desapegado do dinheiro e de qualquer tipo de conforto (1 Co 9.15-18). Preocupado com a aparência do mal, tinha uma conduta irrepreensível, mantendo sob controle seus desejos carnais (vv. 25-27; 1 Ts 5.22). Ele também apresentava como motivo de glória e honra o modo como, certa vez, fugiu dos seus perseguidores em Damasco: “fui descido num cesto por uma janela da muralha; e assim escapei das suas mãos” (2 Co 11.30-33). E lutava diariamente com um doloroso espinho na carne, que o abatia, mantendo-o em constante oração e comunhão com Deus. Quando ele se sentia fraco, então estava forte, confiante no que o Senhor lhe dissera: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (12.7-10).

O pregador Paulo tomava muito cuidado para não torcer a mensagem do evangelho (Gl 1.6-8). Ele não andava com astúcia, nem procurava enganar seus ouvintes para tirar proveito financeiro deles (2 Co 4.1,2). E jamais massageou egos de crentes ou descrentes com mensagens de autoajuda. O seu compromisso era com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Ele vivia como um condenado à morte, levando em seu corpo as marcas do Senhor Jesus (Gl 6.17), bem como suportando calúnias e injúrias, sofrimentos e provações, privações e perseguições (2 Co 4.7-15). Seus pés estavam na terra, mas sua cabeça já estava no céu. Ele não priorizava riquezas, propriedades e bens. Seu alvo era a glória celestial, as coisas invisíveis e eternas reservadas aos santos e fiéis (vv. 16-18).

Como pregador itinerante, Paulo tinha compromisso com a Palavra de Deus e era cheio do Espírito (At 13-16). Ele tinha conhecimento das Escrituras, e a graça do Senhor estava sobre a sua vida. Não há como dissociar a Palavra de Deus do Deus da Palavra. Por isso, fico preocupado quando ouço pregadores dizendo que o seu compromisso com Deus está acima de seu compromisso com as Escrituras. Isso é impossível. Quem ama a Deus de verdade guarda a sua Palavra (Jo 14.23). Leia mais sobre este assunto em nosso livro Procuram-se Pregadores como Paulo, mais um lançamento da CPAD.

Ciro Sanches Zibordi

19 comentários

Douglas viana

Pastor Ciro gostei miuto,realmente o senhor jesued procura pregadores como Paulo que trabalham para não ser pesado a ninguém,mas que também se dedicam a meditar na palavra de deus, e ser cheio de sua graça,e não cobra nada por isso pois dr graça receberam e dr graça dão e se doam.

Amaury Alkimim

Então me perdoe, pastor, pelo meu equívoco. Foi essa impressão q tive, com todo i respeito. Mas realmente preciso orar mais por q sou falho e carente da misericórdia d Deus. Conto tbém com sua oração.

Ciro Sanches Zibordi

Caro Amaury Alkimim, o irmão está equivocado. Ser firme nas respostas não denota raiva ou coisa parecida. Penso que o irmão deveria orar mais e ter cuidado com os julgamento "ad hominem". Minhas críticas sempre se baseiam nos ERROS, e não nas PESSOAS. Já a sua crítica foi um julgamento exagerado e perigoso, pois somente Deus sabe qual é o sentimento que está no coração de cada um. No amor de Cristo, Ciro Sanches Zibordi.

Amaury Alkimim - Montes Claros - MG

Pastor Ciro, PAZ! Gosto muito dos seus sempre embasados textos. Claro que em que pese toda a sua cultura e grife, o senhor padece também dos sintomas da nossa natureza adâmica, pois apesar de seus escritos estarem sempre voltados para à critica de crentes que não são assembleianos, sempre transparece um pouco raiva nas respostas, quando as palavras não são elogiosas. Mas no geral aprendemos muito com o senhor.

Nardel

Hoje muitos que deveriam ser o " canal de benção" para as pessoas virem a Cristo, se tornaram o "obstáculo" entre o perdido e o Senhor...hoje mais que nunca, necessitamos de Profetas que corrigiam o povo como os do Antigo Testamento Parabéns Pr. Ciro! estou cansado desse evangelho da prosperidade mentirosa... E muitos caem nisso porque não frequentam Escola Bíblica Dominical nem culto de ensino...teve um pregador na minha igreja que se quisesse ter levado até a roupa do povo tinha levado....:(

Sandro Cesar

Não quero ser mal interpretado. Gostaria de saber de quem é a culpa, do pregador que cobra ou igreja que sabe quem está convidando para pagar os pregadores tabelado. Tem ministerio da Assembleia de Deus, que não tem hábito de convidar/contratar pregadores de outros ministérios, alias, ela tem mão de obras a vontade, bastando escalar obreiros do próprios ministério. Fica a dica!!

Cristiano Uilian de Farias

Atualmente estamos passando por um período tenebroso da igreja sobre a face da terra. Homens mercenários ou neófitos à frente de igrejas estão se proliferando rapidamente como um vírus. Sabemos que o Eterno tem seus escolhidos em todos os lugares aqueles que realmente tem compromisso com a palavra.., mas chega a ser lamentável.., o tempo perdido do pastor que tem que desintoxicando as ovelhas.., que se alimentaram e aprenderam de forma equivocada

Sidnei

Pr Ciro, apenas para que o senhor saiba (com relação a sua resposta ao meu comentário) admiro muito o senhor como pastor e irmão em Cristo, acompanho o irmão em seu blog, pregações no YouTube e artigos publicados neste site. Nao concordar com algum artigo do pastor, não significa de forma alguma que penso algo de ruim do senhor.

Sidnei

Pr. Ciro, Respondendo, Os versos sagrados apresentados pelo senhor são fidedignos e utilizados de forma oportuna, "quanto a isso" não tenho o que falar, concordo plenamente com o senhor, porém já estamos (obreiros/leitores) cansados de ler nossos teólogos falarem a respeito do que não se deve fazer, precisamos de alguem que ensine o que se deve fazer, aliás, como são Paulo fazia.

Ciro Sanches Zibordi

Sidnei, o que o irmão pensa a meu respeito não importa. Seja um imitador de Paulo assim como ele o era de Cristo. O que o irmão tem a dizer sobre as verdades bíblicas apresentadas no texto? Reflita sobre elas e seja um obreiro de valor.

Edinei Siqueira

Quando me convidam para pregar, já fico esperando aquela famosa frase " O senhor cobra quanto?", quando respondo que de graça recebi e de graça dou, muitos levam um susto e começam a dar desculpas esfarrapadas do tipo" mas o irmão merece. Nós não merecemos nada. A única coisa que merecíamos era a condenação eterna, mas Cristo morreu em nosso lugar. Como podemos estipular preço para pregar o evangelho que nos foi dado gratuitamente no amado?

Deize

Quero tirar uma dúvida .trabalho ministrando para crianças e tenho despesas no visuais.Devo aceitar ofertas?.Tenho medo de me corromper mais tarde por dinheiro achando que toda pregação devo receber oferta.

Sidnei

Pr Ciro, Precisamos mesmo de pregadores como Paulo, porém mesmo alguns não sendo como Paulo, estão fazendo o máximo que podem para levar a mensagem do Evangelho, e o senhor o que esta fazendo ? Lembre-se Paulo denunciava as heresias em seu tempo, porém não era somente isso que ele fazia, ele também ensinava a Palavra de Deus, acho que o senhor lembra muito a primeira parte ou lado da vida ministerial de Paulo e esquece a segunda. Fique na Paz.

Fernando "Eagle" de Sousa

Lembro de um livro: "Paulo o Líder" de John Oswald Sanders, no qual ele já falava: "Para Paulo, o cristianismo era apresentar Cristo". Realmente excelente texto.

Ciro Sanches Zibordi

Caro Sérgio Luís, procuram-se pregadores COMO Paulo. Iguais a ele, impossível. Mas COMO, sim. Abraços.

Sérgio Luís

Será que dá prá ressuscitar Paulo?(risos)

Wellington Feitosa de Araujo

A paz do Senhor Jesus, Estamos vivendo uma onda de pregadores itinerantes, não como Paulo, e sim, como Balaão. É evidente o interesse financeiro, não só de pregadores, mas também, cantores. Por que essa geração de pregadores não adota a postura de Paulo citado no texto acima? Por que não tornam-se abençoadores em vez de buscarem dádivas para si? Tenho a seguinte opinião, quando alguém é convidado para ministrar a palavra, deve-se custear as despesas com sabedoria, moderação e entendimento.

Reginaldo Costa

Parabéns pastor Ciro, fazia tempo que não lia uma material tão....

Osvaldo junior

Parabens pastor,por esse novo trabalho. Tenho todos os seus livros anteriores e ja encomendei essa nova perola que com certeza sera bençao aos amantes da boa literatura evangelica. Meu coraçao se entristece e muito por ver muitos pregadores tendo comportamento de artistas,muitos ate conhecem a historia de Paulo que foi um gigante da fé e procurou em tudo nao dar escandalo a obra de Deus. Um amigo aqui na minha cidade convidou um certo *pregador* para um trabalho e esse *pregador* de pronto pediu a quantia de 2.300 reais, na minha opinião isso é um abuso. Acredito piamente que existem sim pregadores que amam a obra de Deus e tem como intuito primordial a salvaçao de almas,mas infelizmente a muitos tambem que entram.no ministerio com a ânsia de ganhar dinheiro,e serem famosos e fizeram do ministerio um meio de vida. Um certo disse a meu irmão que na hora de combinar preço pra pregar é negócio e na hora de pregar é espiritual,nao concordo tbm com esse ultraje,mas infelizmente é o que estamos vivendo. A paz de Deus que excede todo entendimento. .

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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