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Ciro Sanches Zibordi

Ciro Sanches Zibordi

O professor de Escola Dominical na era digital

Ter, 27/03/2018 por Ciro Sanches Zibordi

Lembro-me, saudoso, das primeiras aulas que ministrei na ED, em 1988, quando ainda não havia textos com subsídios para a lição do próximo domingo e videoaulas na grande rede. Aliás, naquele tempo, sequer sabia o que era navegar pela web! Empunhando a minha primeira Bíblia — que hoje faz parte do meu museu particular, aqui em casa — e um exemplar de Lições Bíblicas, falava com certa desenvoltura, para um jovem de apenas 18 anos, a uma classe de juvenis bastante atenta. À época, também não existia smartphone para desviar a atenção dos alunos.

Não era muito fácil preparar uma aula de ED, no fim do milênio passado. Eu começava a orar e a estudar a próxima lição desde a segunda-feira; e fazia questão de ler cada texto bíblico, procurando encontrar na própria Palavra de Deus as respostas para as principais perguntas que os jovens poderiam fazer. Mas também dispunha de um dicionário bíblico que ganhara da minha mãe, além de uma concordância abreviada, alguns livros especiais — de autores como Antonio Gilberto, Eurico Bergstén, Abraão de Almeida, Severino Pedro da Silva etc. — e um minidicionário da língua portuguesa.

Como os tempos mudaram! Agora vivemos na era digital e fazemos parte da sociedade de informação — uma das marcas dos tempos pós-modernos —, que opera com base numa rede de comunicação organizada. Trata-se da Internet, criada em 1969, a qual cobre todo o globo e é responsável por conectar a world wide web (rede mundial de computadores, mais conhecida pela sigla www), inaugurada em meados dos anos de 1990. A era digital, tecnológica ou da interatividade é regida pela cibernética, palavra que deriva da Bíblia: do substantivo “piloto” (gr. kubernētēs) e do verbo “governar” ou “controlar” (gr. kubernesis), que aparecem no Novo Testamento (At 27.11; Ap 18.17 e 1Co 12.28).

O que é a cibernética? É a ciência que tem por objeto o estudo comparativo dos sistemas e mecanismos de controle automático, regulação e comunicação nos seres vivos e nas máquinas. E a sociedade de informação? Três conceitos básicos a definem: a convergência midiática, a inteligência coletiva e a cultura participativa. Em outras palavras, não somos mais meros receptores de dados e informações; antes, interagimos, contribuindo para produzir novas ideias e ações. Entretanto, essa necessidade de interação gera dependência da tecnologia. E, como o espaço geográfico está cada vez mais integrado às inovações tecnológicas e informacionais, boa parte da humanidade não vive mais sem a Internet.

Há pouco tempo, ficávamos felizes por haver wireless fidelity (WiFi) em um hotel ou restaurante. Hoje, nos irritamos se não houver esse tipo de conexão sem fio nos mencionados estabelecimentos. Não perguntamos mais: “Aqui tem WiFi?”, e sim: “Qual é a senha do WiFi?” Além disso, muitos de nós já dispõem de um bom plano de 4G para smartphone, haja vista não ser possível viver desconectado. Qual professor de ED, nesses tempos, prepara sua aula sem consultar as fontes disponíveis na Internet? Grande tem sido o impacto da cibernética na educação. Mas, para quem vem do século passado, como este articulista, o que mudou, efetivamente, na preparação e na apresentação das aulas de ED?

Sem dúvida, os avanços tecnológicos modificaram a leitura, a escrita e até mesmo a maneira de pensar, visto que a transição da era industrial para a digital foi — e tem sido — a mais radical transformação da história intelectual, desde a invenção do alfabeto grego. Aceitemos ou não, tais avanços fazem parte do nosso dia a dia. A escrita cursiva, por exemplo, está caindo em desuso. E já há escolas, sobretudo na Europa, abolindo a caligrafia. Como não seria plausível viver desconectado, rechaçando os benefícios da era digital, precisamos conhecer bem os riscos cibernéticos, para que não nos privemos, por causa destes, dos excelentes recursos tecnológicos à nossa disposição.

O professor de ED que sabe usar a Internet não se limita a dar aulas aos domingos, mas interage o tempo todo com os seus alunos. Quem sabe utilizar as ferramentas tecnológicas se torna um professor multitasking (multitarefa), que pode escrever textos ou gravar vídeos e publicá-los em seu blog (ou weblog), nas redes sociais ou compartilhá-los por meio de aplicativos de mensagens, como WhatsApp. A colaboração ou interação entre professor e aluno é uma relação de cooperação que beneficia a ambos. Aliás, essa interatividade não fica restrita a eles, pois pessoas de qualquer lugar do mundo podem participar — exceto quando o assunto diz respeito exclusivamente à classe — lendo, assistindo a vídeos, perguntando, respondendo, fazendo com que haja uma grande simbiose, que resulta em aprendizagem de todos.

Por outro lado, como o professor ganha ferramentas que lhe permitem, entre outras coisas, apresentar conteúdo multimídia a seus alunos e monitorar sua audiência como um todo, ele passa também a acumular uma série de novas tarefas: produzir e alimentar suas páginas e blogs, bem como estar atento a cada mensagem enviada por seus alunos. Além disso, às vezes, pode sofrer ataques pessoais. Como reagir a isso? Há que se ter cuidado com críticas e elogios (Pv 15.1 e 26.4,5), além de saber “responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1Pd 3.15).

Uma coisa é certa: Internet é realmente útil; e não deve ser vista como algo negativo, já que amplia nossas possibilidades de ensino e aprendizado. A CPAD, por exemplo, há três anos, produz as Lições Bíblicas no formato digital, o que é uma excelente ferramenta para o professor e também para o aluno de Escola Bíblica Dominical. Mesmo assim, é claro que precisamos lançar sobre as ferramentas da era digital um olhar crítico e saber como usá-las. Um exemplo, aqui, é o texto para web, o hipertexto (hypertext) — cujo prefixo advém do grego hiper, “acima de”, equivalente do latim super —, o qual é um supertexto na tela, com hyperlinks (ícones, palavras etc.) para outros textos, vídeos, gráficos etc.

Objetivando facilitar a interação e fomentar o aprendizado, as redes sociais vêm aprimorando as antigas listas de discussões e fóruns, acrescentando-lhes um visual mais limpo e elaborado, com diferentes graus de interatividade, acompanhados de recursos audiovisuais, o que torna a experiência de compartilhar informações ainda mais enriquecedora na Internet. O leitor já tem um blog ou um canal no YouTube? Estes são muito úteis para publicação de textos e vídeos, e tudo pode ser organizado em forma de mural ou diário eletrônico.

Blogs são ótimas ferramentas para desenvolver e aprimorar as habilidades de leitura e escrita. Mas há também outros recursos, como Twitter e Facebook. Com o primeiro, você pode publicar frases de até 140 caracteres e compartilhar links para textos ou vídeos; o ideal é usar essa ferramenta em conexão com páginas e blogs. Com o outro, é possível interagir melhor com os alunos. Outrossim, use hashtags, palavras-chave antecedidas pelo símbolo “#”, que geram hyperlinks, como #LicoesBiblicas, #AulaEBD etc., os quais possibilitam que outras pessoas tenham acesso às suas publicações. 

Portanto, caro professor, navegar é preciso. Conecte-se! Esteja atento ao que acontece no mundo digital. Interaja com seus alunos; eles vão gostar disso. Mas não se esqueça do principal. Nunca perca o fervor, a espiritualidade. Jamais se afaste do estudo das Escrituras. Se Jesus andasse na terra, hoje, usaria todos os recursos à sua disposição, porém continuaria se retirando, “a fim de orar sozinho” e passar “a noite orando a Deus” (Mt 14.23 e Lc 16.12, ARA). #FicaADica.

 

Ciro Sanches Zibordi

Publicado na revista Ensinador Cristão número 74

6 comentários

Sérgio Luís

Pr. Ciro, a paz do SENHOR.excelente texto. Didático e pedagógico. Como professor da EBD há uns 18 anos, mais ou menos, tenho percebido as mudanças citadas pelo irmão. Infelizmente, também tenho notado outras mudanças que nos entristecem: baixa frequência, relativismo e outros "ismos". No entanto, como diria aquele antigo pregador: " o amor que demonstramos à palavra de Deus,revela esse amor ao Deus da palavra". Deus o abençoe. Agradecido.

Marcelo Xavier

Grande Ciro, a paz do Senhor. Realmente eu ja fiz esta pergunta para mim mesmo....como que deveria ser difícil preparar as aulas quando nao tinha a tecnologia? Não deveria ser fácil , mas graças a Deus que o Espírito Santo sempre esteve disposto a nos ajudar independente da época. Grande Abraço.

Regina

Excelente texto Pr. Ciro. Deus abençõe

RAFAEL MUNIZ DE SOUZA

A paz de Cristo! Ótimo antigo, realmente estamos vivendo a era da tecnologia e temos que saber aproveitar esse momento ao nosso favor em prol do reino de Deus. Creio que Deus da sabedoria ao homem para que ele posso fazer o bem.

Reinaldo dos santos ferreira

Sempre que eu preciso pesquisar sobre alguns asuto importante dificio na lição da ecola dominical procuro web saite cpad na escola dominical utilizamos esta ferramenta Walmart fone para pesquisar ajuda muito digo muito bom em casa pesquiso sobre geografia da bíblia e segnificado ajunda muito abre um leque de informações para o compreendimento.

Tiago Baía

Pastor,neste exato momento,acabei de lê este artigo. Confesso que aprendir algumas coisas acerca da internet. Sou "professor"na EBD e tenho sempre consultado a internet especialmente este site cpadnews em sua coluna. Louvo a Deus por ter colocado vós,pastores,como colunista neste site,onde tenho aprendido muito sobre Deus e sua Palavra. E sempre tenho indicado aos alunos que acessem o cpadnews e estudem os artigos que são postados nele. Que Deus continue lhe inspirando a escrever-nos.

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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