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Ciro Sanches Zibordi

Ciro Sanches Zibordi

Bênção sacerdotal ou apostólica?

Ter, 23/01/2018 por Ciro Sanches Zibordi

Ainda que os contextos históricos dessas duas bênçãos sejam diferentes, tanto a sacerdotal como a apostólica se aplicam ao culto neotestamentário, já que ambas são trinitárias, isto é, mencionam as três Pessoas da Trindade, o que lhes confere um status atemporal. Entretanto, a Igreja estabelecida pelo Senhor Jesus, no primeiro século (Mt 16.18), não é ritualista nem sacramental. Em outras palavras, embora o cristianismo bíblico observe duas ordenanças — o batismo em água (Mt 28.19,20) e a Ceia do Senhor (1 Co 11.23-34) —, as denominações têm liberdade no campo das questões eclesiásticas, como a administração do culto.

Grosso modo, cada igreja tem um perfil, que abarca os âmbitos bíblico-teológico e eclesiástico-litúrgico. No primeiro, há doutrinas, princípios e mandamentos, os quais devem ser obedecidos, já que são imutáveis. No segundo, hierarquia, cerimônias, práticas litúrgicas etc., todas administradas pela Bíblia, mas com certa flexibilidade. Títulos ministeriais, por exemplo, variam nas denominações e nem sempre correspondem aos dons prescritos na Bíblia (Ef 4.11; 1 Co 12.28). A bênção impetrada no fim dos cultos se relaciona com a esfera eclesiástico-litúrgica; não é regida por mandamento, e sim por uma tradição derivada de 2 Coríntios 13.13, passagem que deve ter sido escolhida, em algum momento da História da Igreja, em razão de dar destaque à triunidade de Deus.

Não se sabe se, de fato, as igrejas do primeiro século impetravam alguma bênção no fim dos cultos. O certo é que Paulo e outros autores neotestamentários concluíam suas cartas com uma saudação de bênção alusiva à graça de Deus (cf. Rm 16.24; 1 Co 16.23; Hb 13.25; 1 Pe 5.10). Ao que tudo indica, foram os reformadores que começaram a usar versículos bíblicos no fim dos cultos, e 2 Coríntios 13.13 foi o escolhido por causa da menção às três Pessoas da Trindade, o que também ocorre — mas de modo indireto — na bênção sacerdotal, visto que se repete o nome do SENHOR três vezes (Nm 6.24-26).

Como a impetração dessa bênção não se impõe por mandamento, e sim por tradição, faz-se necessário distinguir o teológico do litúrgico. Em 1 Coríntios 14.26, Paulo faz menção de três tipos de ministração: a do louvor (salmo), a da Palavra (doutrina) e a do Espírito (revelação, língua e interpretação). Se faltar uma destas ou se houver mau uso delas, o culto estará, bíblica e teologicamente, prejudicado. Mas há também avisos, recolhimento de dízimos e ofertas, oração pelos aniversariantes, bênção apostólica etc., elementos que podem ser administrados com sabedoria, equilíbrio e flexibilidade.

Portanto, pode-se, no fim dos cultos, não só usar 2 Coríntios 13.13 e Números 6.24-26, alternadamente, como também outros textos; ou, ainda, empregar palavras adicionais. Há igrejas em que o pastor diz: “A vitória é nossa!”, e o povo responde: “Pelo sangue de Jesus!” Outras apresentam as bênçãos apostólica ou sacerdotal de forma cantada. Entretanto, vale lembrar que as Assembleias de Deus preferem a chamada bênção apostólica, pois, além de esta constar do Novo Testamento, nela a Trindade é mencionada de modo explícito.

Ciro Sanches Zibordi
Artigo publicado no Mensageiro da Paz número 1.590 (novembro de 2017)

6 comentários

Tiago

Muito esclarecedor este texto. Que Deus continue lhe usando.

Nilva Alves Moreira Mendes

A Paz do Senhor Amém, irmão Ciro. Muito bem esclarecido! Que Deus o abençoe ricamente , que o senhor seja sempre premiado com a presença de Deus dirigindo seus passos e intuindo suas decisões. Tenho todos os seus livros e gosto muito de suas postagens. Paz do Senhor. Att, Nilva Alves Moreira Mendes

Ronan Amaral

Graça e paz, pastor. Excelente texto. Permita-me apenas lhe corrigir quanto ao texto utilizado: o versículo a que se refere é o seguinte ao citado. 2Co 13.14* No mais, é sempre bom ler seus textos de fácil compreensão. Abraço!

Sérgio Luís

Pr. Ciro, a paz do SENHOR. Texto esclarecedor e que quebra alguns mitos. Gostaria de esclarecimento, se possível. A benção apostólica é exclusividade dos presbíteros e pastores? Aguardo sua resposta. Saudações em Cristo.

Luiz Henrique

Pr. Ciro, a paz , tenho um grande apreço pelas suas publicações, mas " não é regida por mandamento". não entendi essa expressão! quer dizer que a benção apostólica não é bíblica? ou por não existir nenhum mandamento especifico ao ato?

Ruy Bergsten

Caro pastor Ciro, Quando eu era criança no Belenzinho, São Paulo, o culto terminava com o Amém. As pessoas começavam a se retirar e o pastor Cícero ficava então fazendo anúncios. Não havia bênção adicional nenhuma.

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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