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Ciro Sanches Zibordi

Ciro Sanches Zibordi

Pregador(a), pregue apenas a Palavra!

Sex, 19/05/2017 por Ciro Sanches Zibordi

Sinceramente, digo isto com temor diante de Deus, é vergonhosa a disputa entre fãs de pregadores famosos deflagrada na grande rede depois que um conhecido animador de auditório, em um grande congresso, resolveu atacar, de cima do púlpito, indiretamente, uma célebre pregadora performática que havia, no mesmo púlpito, alfinetado seus pares. Seu fã-clube, entretanto, foi mais além e transformou a presente discussão em uma inglória guerra de gêneros, no melhor estilo mundano e feminista.

Como o pregador, demonstrando estar indignado com o que ouvira, fez uma série de comparações desastrozas e infelizes, dizendo que a pregadora jamais seria águia, pois é formiga, suas fãs, inclusive algumas “pastoras”, criaram a hashtag #SomosTodosFormigas. E, inflamando-se em seus discursos feministas, passaram a empregar frases desafiadoras, muito usadas nestes tempos de polarização política, como: “Mexeu com uma, mexeu com todas”. E mais: começaram a verberar contra os homens, de maneira geral. Pura carnalidade.

Há quase dez anos, um famoso pregador — idolatrado por muitos — xingou um pastor e escritor de canalha de cima do púlpito, ao som de “glórias a Deus” e “aleluias”. E, como se isso não bastasse, ainda deu a entender que gostaria muito de ter um encontro nada amistoso com o outro, “numa hora dessas, no aeroporto”, a fim de lhe dizer “algumas verdades”, para que se convertesse e não fosse para o inferno. Enquanto o ofensor, cheio de ira, gritava, xingava o escritor e, tacitamente, o ameaçava, muitos irmãos, inclusive pastores, diziam: “Fala mesmo, Jeová” ou “Queima ele”. Era como se o ofendido fosse um emissário do mal, um opositor do “mover de Deus”, que precisasse ser “barrado”. Mas, sabe quais eram os motivos da revolta de todos? Os livros do ofendido, especialmente: Evangelhos que Paulo Jamais Pregaria (CPAD, 2006) e Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (CPAD, 2007), os quais contêm críticas à pregação performática, que ainda sobrevive, para tristeza do Espírito Santo!

Passado pouco tempo — veja como Deus trabalha por aqueles que nEle esperam; não é necessário se vingar —, estava o escritor ofendido no mesmo púlpito de onde os tais impropérios haviam partido! A expectativa ali era grande, não porque o tal é importante, e sim porque alguns queriam “ver o circo pegando fogo”. Soube-se, depois, que houve até uma certa decepção, pois se esperava que o escritor usasse parte do tempo para se defender dos mencionados ataques e alfinetar quem o desafiara. De fato, ele tinha a oportunidade de se vingar e verberar contra quem o atacara. E sabia que tudo iria parar na Internet! Mas seu coração estava em paz. Que noite memorável! Ele apenas pregou a Palavra de Deus!

Quem saiu vitorioso? O escritor? Não! O pregador que o xingara de canalha e seu hostil fã-clube? Também não! Quem venceu? Jesus Cristo! Ele foi glorificado. Sua Palavra — e somente sua Palavra — foi pregada naquela noite! Ninguém é melhor do que ninguém. Aliás, enquanto uns dizem alhures que são águias, e outras afirmam que são formigas, me lembro sempre do que está escrito em Isaías 41.24: “Eis que sois menos do que nada e a vossa obra é menos do que nada”. Ora, se nada já é nada, quanto seria menos do que nada? É o que somos quando pensamos ser alguma coisa!

Louvo ao Senhor Jesus pela formação ministerial que recebi. Tive a honra de aprender, desde a minha adolescência, aos pés de grandes mestres, imitadores de Cristo, como Valdir Bícego e Antonio Gilberto. Com eles aprendi — e tenho aprendido — que púlpito é lugar de pregar o Evangelho e ensinar a Palavra. Quem foi o pregador mais antipático que andou na terra? Possivelmente, João Batista, que verberava sem medo contra o que estava errado, mas sua prioridade era falar do Cordeiro de Deus, e não de si mesmo ou dos outros: “João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Sua meta não era ser o pregador dos pregadores, pois era um “enviado de Deus” (v. 6). Não objetivava ser maior do que ninguém. Pelo contrário, queria ser menor que Jesus Cristo, já que seu lema era: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (3.30, ARA).

Ciro Sanches Zibordi

7 comentários

Ciro Sanches Zibordi

Caro Carlos Eduardo, a paz do Senhor. Publico críticas, sim. E as respondo. O que não publico são ofensas e comentários que julgo impróprios. Para este post só recebi elogios. Um irmão, inclusive, escreveu várias vezes que gostou dele. Eu só publiquei um comentário, pois o irmão deve ter se equivocado ou talvez estava testando este espaço para comentários. Risos.

Carlos Eduardo

Pr Ciro, o Senhor só pública elogiosa? Não vi nenhuma crítica neste post.

Fernando Tavares

Por que será que para tantos pregadores é tão difícil pregar a Palavra? Falam de tudo nos púlpitos menos da genuína Palavra de Deus. Que o Senhor nos ajude Pr. Ciro a pregar somente a Palavra.

Tiago

Muito bom este artigo.

Diego de Oliveira Steffen

Paz irmão Ciro, conheço algumas de suas obras literárias em defesa das escrituras, e faço de suas minhas palavras pois Jeus é o caminho a verdade e a vida. Que Deus continue lhe usando, e quanto ao PR. Antônio Gilberto um exemplo para nós jovens obreiros que possamos cada vez mais termos sede da Palavra de DEUS.

Carlos H. Santos de souza

Pastor ciro tenho 24 anos de idade e prego a palavra desde dos meus 13 anos de idade. Estou aprendendo muito com os seus livros que por sinal tenho todos eles excerto o livro "procuram-se pregadores como paulo". No entanto quem ler os seus livros certamente está aprendendo com esses dois homens de Deus que você citou no seu texto. Portanto caro pastor ciro, quero aqui expressar a minha gratidão pelo trabalho que vem sendo feito em partilhar conosco aquilo que Deus tem colocados no seu coraçao.

Sérgio Luís

Pr.Ciro, a paz do Senhor. Novamente,o amado nos brinda com mais um artigo abençoado. Para enfatizar sua idéia, cito o profeta Eliseu que algumas vezes dizia: “ O que posso fazer? O que tens em casa?"(2Rs.4:2)e mais adiante “O que poderia fazer à esta mulher?" e ainda “... O Senhor não me revelou?" (2Rs.4:14 e 27). Ou seja, o homem de Deus não saiu “ declarando, determinando"ou coisa parecida. Muito diferente de alguns “pregadores"

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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