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Ciro Sanches Zibordi

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Sete conselhos para as pregadoras

Seg, 08/05/2017 por Ciro Sanches Zibordi

Já tenho escrito, de modo geral, sobre o ministério feminino, aqui (ZIBORDI, 2015) e também em meu livro Mais Erros que os Pregadores Devem Evitar (CPAD, 2007). Neste texto, tendo em vista o crescimento do número de pregadoras, nos últimos anos (e com ele o surgimento de alguns perceptíveis desvios da sã doutrina), apresento-lhes, sem nenhuma presunção, estes sete conselhos. A rigor, são os mesmos que tenho apresentado aos pregadores, desde 2005 — quando a CPAD publicou Erros que os Pregadores Devem Evitar, primeiro de uma série para pregadores —, mas com alguns destaques específicos alusivos ao que tenho presenciado em ministrações femininas, in loco, e também assistindo a vídeos na Internet. Vamos aos conselhos.

1. Sejam femininas, e não imitadoras de homens. Gosto de ouvir pregadoras. Mas é desagradável ver mulheres abrindo mão de sua feminilidade para imitar os pregadores performáticos. Pense na situação inversa: um homem imitando uma mulher. Isto não causa estranheza? Há alguns anos, quando uma pregadora atualmente ex-ex-lésbica (isto mesmo: ex-ex-lésbica) fazia sucesso na Assembleia de Deus, me presentearam com uma de suas mensagens em VHS. Que decepção! Postura masculinizada, voz de machão, trejeitos e bordões de animadores de auditório etc. As mulheres deveriam falar como mulheres, pois têm um modo especial de comunicar as verdades de Deus. Por isso, no âmbito familiar, Deus deseja que pai e mãe participem da educação dos filhos: “Filho meu, ouve a instrução de teu pai e não deixes a doutrina da tua mãe” (Pv 1.8). Ou seja, a sã doutrina é a mesma, porém a maneira de comunicá-la, por parte de homem e mulher, é diferente.

2. Preguem a Palavra de Deus. Repito: os conselhos que eu tenho dado aos pregadores são extensivos às pregadoras. Se Paulo disse a Timóteo: “Prega a palavra” (2 Tm 4.2, ARA), isso vale para todas e todos que desejam pregar o Evangelho. O apóstolo não disse: “Anime auditório”, “Pregue o feminismo” ou “Desafie seus desafetos em público”. Mas, na atualidade, para tristeza do Espírito Santo, muitos pregadores — e pregadoras — embarcaram na canoa furada da pregação performática, ofensiva e desafiadora. Berram ao microfone. Ofendem seus pares, ainda que de modo indireto. Valem-se de bordões. Movimentam-se, coreograficamente, como se estivessem liberando algum tipo de raio destruidor etc.

Parem com isso, por favor! Honrem a chamada que receberam do Senhor. Muitos dizem que cada um tem o seu estilo. Quer saber qual é o estilo de pregação que agrada a Deus? Leia 1 Coríntios 2.1-5, em oração. O que vemos quando olhamos para o pregador Paulo, um imitador de Cristo? Um showman? Um pregador malabarista? Um coreógrado de púlpito? Não! Aprendemos com ele que não é preciso animar auditório nem chamar todos os holofotes para si. Preguemos, pois, a Palavra de Deus! Com graça e ousadia, como fez Estêvão diante daqueles que o acusavam. Ele foi apedrejado, é verdade; taparam os ouvidos, também é verdade. No entanto, quando Estêvão, cheio do Espírito, olhou para o céu, viu Jesus em pé, em sinal de aprovação, à direita de Deus (At 7).

3. Sejam um exemplo em tudo. Como arautos de Cristo, não pregamos apenas com o microfone à mão, pois devemos pregar o que vivemos e viver o que pregamos. Algumas irmãs, infelizmente, parecem ter a “unção do microfone”, já que fora do púlpito têm uma conduta completamente diferente da que ostentam nas igrejas. Não existem supercrentes, mas, com exceção de alguns recursos de oratória que usamos durante a pregação, nossa vida nos bastidores não deve ser muito diferente da que ostentamos no púlpito. Observe o que o apóstolo Paulo disse aos presbíteros de Éfeso: “Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós” (At 20.18).

Cuidado com o porte, amada irmã! Este abarca conduta e postura, o que você de fato é e o que aparenta ser. Se você aparenta ser santa no púlpito, por que não ser santa nas redes sociais e no trato com as pessoas? Lembre-se de que a pregação neotestamentária não consiste apenas em palavras. Ela abarca três termos gregos que aparecem em 1 Tessalonicenses 1.5, uma das passagens que definem a pregação, no Novo Testamento: logos, pathos e ethos. Em outras palavras, abrange a pregação propriamente dita (logos), a forma como a mensagem é apresentada, com unção do Espírito Santo e uso de recursos homiléticos (pathos) e porte: conduta e postura éticas (ethos).

4. Não busquem títulos e posições. Pregadora é pregadora. Pregador é pregador. Não precisam de um título pomposo para pregar o Evangelho, a menos que queiram prevalecer pelo “braço de carne”, e não pelo Espírito Santo (cf. 2 Cr 32.8; Zc 4.6). Filipe era pregador do Evangelho, apesar de ter sido escolhido para cuidar do trabalho material da igreja em Jerusalém (At 6.1-5; cap. 8). Só no fim da terceira viagem missionária de Paulo, em Cesareia, Filipe foi chamado de evangelista (21.8). Mas, antes de receber esse título, ele já pregava, pois não é o título que faz a pessoa; é a pessoa quem faz o título.

Sinceramente, fico preocupado quando vejo pregadoras procurando ostentar títulos para terem maior credibilidade. Ao que me parece, elas não acreditam que Deus está com elas, caso não tenham um título pomposo. Precisam ostentar o título de “bispa”, uma invencionice, já que, a rigor, além de esse ofício não constar das páginas sagradas, o feminino de bispo seria episcopisa; ou o título de “pastora”, outra extravagância, uma vez que a única mulher chamada de pastora — de ovelhas — na Bíblia foi Raquel (Gn 29.9). Não nos esqueçamos de que Paulo, constituído por Deus pregador, apóstolo e doutor dos gentios (1 Tm 2.7), fazia questão de se apresentar, prioritariamente, como “servo de Jesus Cristo” (Rm 1.1), a quem servia em seu espírito (v. 9).

5. Sejam humildes. Paulo honrou várias mulheres, mencionando-as em Romanos 16 — como Priscila, citada primeiro que seu próprio marido (v. 3) —, porque elas certamente eram humildes. Priscila, inclusive, foi quem contribuiu para o aprendizado de Apolo, um homem que já era “poderoso nas Escrituras” (At 18.24-28). Ainda que o Senhor é excelso, atenta para quem é humilde (Sl 138.6; 1 Pe 5.5,6), mas é triste ver pregadoras agindo com soberba no púlpito e dizendo frases impróprias, como: “Se eu, sem ter uma gravata, faço o que faço, imagine o que eu faria se tivesse uma”; “Mesmo com os homens atrapalhando, eu continuo vencendo” ou “Como os homens são frouxos, Deus tem levantado as mulheres, que são corajosas”. Lembremo-nos, sempre, de que a “soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16.18).

6. Respeitem os pastores. Há uma tendência, pelo que tenho notado, de as pregadoras famosas serem tentadas a verberar contra os pastores, sugerindo que eles as invejam, se opõem ao seu ministério e são machistas etc. Essa rebeldia, que tem levado muitas irmãs a promover a inglória guerra de gêneros, a nada leva. Já pensou o que aconteceria, se os pastores resolvessem responder a cada provocação feminista? Onde isso vai parar? Homens e mulheres devem ser submissos a Deus e ao ministério estabelecido pelo Senhor (1 Co 12.28; Ef 4.11). Qualquer crente deve obedecer ao claríssimo mandamento de Hebreus 13.17: “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas”.

7. Sejam femininas, e não feministas. Muitas pregadoras não abrem mão da feminilidade (o que é bom, como já vimos), mas têm um outro defeito: adotam um discurso bastante hostil em relação aos homens. Apesar de elas estarem pregando em grandes congressos e sendo tratadas com todo o respeito, inclusive pelos homens, elas agem como se estivessem sendo oprimidas pelo patriarcado! Sempre quando têm oportunidade, numa entrevista ou mesmo durante suas prédicas, dizem que nas igrejas ainda prevalece o machismo. Alegam que isso é herança do judaísmo, da conduta machista de Paulo etc. E verberam contra os homens, pregando o questionável igualitarismo feminista, que, embora esteja na moda, não se coaduna com o ensinamento neotestamentário.

Em relação ao Antigo Testamento, quem deu a lei a Moisés? O próprio Deus! Não há que se falar de patriarcado opressor. Isso é linguagem de movimentos feministas de esquerda, e não de servas do Senhor que se prezam! Se defendermos que havia machismo na lei dada a Moisés, chegaremos à conclusão de que o próprio Deus era machista! Quanto a Paulo, nenhum machista mandaria os homens amar a sua própria mulher (Ef 5.25) nem faria questão de mencionar nominalmente as mulheres que o ajudaram (Rm 16 etc.). Em relação a Jesus — já que para as “feministas cristãs”, Ele não valorizou mais as mulheres por causa da prevalência do machismo na sociedade patriarcal —, sabemos que o Mestre veio para quebrar paradigmas. E, se quisesse, teria escolhido seis casais, e não doze homens, visto que “chamou para si os que ele quis” (Mc 3.13).

Infelizmente, algumas pregadoras já foram cooptadas pelo pernicioso movimento feminista, que, em geral, é abortista, se opõe à cosmovisão judaico-cristã e às Escrituras, além de demonizar o homem (SCRUTON, 2014; ZIBORDI, 2016). Sei que há vários tipos de feminismo, alguns mais extremistas e outros mais moderados. Reconheço os direitos femininos pelos quais homens e mulheres cristãos devem lutar. Mas o discurso belicoso, oriundo do feminismo anticristão, que produz frases como “Mexeu com uma, mexeu com todas”; “Machistas não passarão” etc., não deve ser adotado pelas pregadoras que se prezam. Machismo e feminismo devem ser rechaçados por todos os cristãos, indistintamente, pois são filosofias contrárias à Palavra de Deus. Preguemos, pois, o Evangelho, e não ideologias polarizantes (Rm 1.1,16; 1 Co 9.16).

Ciro Sanches Zibordi

Referências
SCRUTON, Roger. Como Ser um Conservador. Rio de Janeiro: Record, 2014.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Por que as mulheres não podem ser pastoras? CPAD News. 24 mar. 2015. Disponível em: http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/134/por-que-mulheres-nao-podem-ser-pastoras.html. Acesso em: 8 mai. 2017.
ZIBORDI, Ciro Sanches. Existe mesmo a cultura do estupro? Blog do Ciro. 2 jun. 2016. Disponível em: https://cirozibordi.blogspot.com.br/2016/06/o-feminismo-e-suposta-cultura-do-estupro.html. Acesso em: 8 mai. 2017.

24 comentários

Pastor Paulo César Sampaio

Zibordi, como sempre, nos brinda com majestoso e bíblico texto, com o qual concordo 100%. E as apóstolas-de-araque, as bispas-de-conveniência, as pastoras-de-porrete na mão, as presbíteras (uau! sim, elas já existem em muitas igrejas!), toda essa casta que 'vá girar o seu manto em outra fregue$ia'. Duvido que a CPADNEWS publique este meu texto - e se o fizer, terá meramente cumprido uma obrigação constitucional de livre expressão de pensamento.

Ciro Sanches Zibordi

Quando meditamos em 1 Coríntios 2.1-5 e 1 Tessalonicenses 1.5, aprendemos que somente os pregadores sem a verdadeira unção e conhecimento bíblico precisam recorrer à pregação performática e malabarista, à animação de auditório, bem como a bordões antropocêntricos e a ataques a pastores presentes à mesma reunião. Quem tem conteúdo e graça de Deus prega com humildade a Palavra de Deus e vê o Espírito Santo aplicando-a aos corações. Cresçamos, pois, na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18)!

Felicianodas Graças

Como eu estava dizendo.Há muitas mentiras no meio de certos testemunhos.É que nunca apareceu ninguém que cobrassem a veracidade deles.Quem foi o mendigo?.Qual foi o lugar que aconteceuo ocorrido?Um testemunho que ouví.Sabe aquelas coisas que dão tudo certinho?Não se pode nem pensar em coincidência?E por isso estão aí jforjando testemunho para impressionar a igreja de Deus.E serm falar das pregadoras.queestão de braços dados com mamom.Sabe quem são os culpados disso? Nós que procuramos essas pess

Feliciano fdas Graças

Queridosa coisa tem estado muito estranha ultimamente.Está uma corrida muito desregrada para a fama e a ostentação.Muitas pregadoras falam de tudo nas m"Ministrações" menos a palavra de DEus.É muito conselho,é muito citando as atitudes de irmãos.Aí aproveitam pra tirar uma onda evangelicamente pois confiam que são bem quistas pela platéia.É muito triste.Esquecem que estão num lugar Santo e deve falar das coisas santas.Gritam põem na voz uma agressão sem razão de ser.Quando não mentem em seus tes

Esdras Brito

Texto excelente e necessário!

Jose Roberto da Rocha

Para complementar: Parem de estipularem preços, quando convidadas par pregar! Não vendam aquilo que não vos pertence! Façam assim: a igreja anfitriã, pague as passagens e acomodações, não precisa ser hotel cinco estrels, acomodai vos com as coisas simples. E uma oferta, sem valores estipulados,se realmente a irmã precisa. Pq muitas delas são esposas de pastores, bem remunerados pela igreja, e que nã precisa disto!

Pastor Marcus

Escelente!

Ciro Sanches Zibordi

Grato, irmãs e irmãos, todas e todos, pelos comentários. Que Deus os abençoe!

Ivone Figueira

Gostei muito dessa matéria!! como a um pai ensinando filho, muito edificante mesmo

Reginaldo Costa

Muito boa sua colocações. Estarei orando pelo sr ainda mais. Irei ler esse artigo para minha esposa e filha para entenderem melhor a verdade do evangelho.

Charles Barreto

A Igreja de CRISTO te saúda, nobre irmão. Parabéns!

Marilza Oliveira

Primeira vez que leio algo tão completo e inteligentíssimo, concelhos q acrescentou ao meu ponto de vista.Que Deus te abençoe Pastor por cada palavra.

Raphaela Bourguignon

Obrigada . Obrigada por nos ensinar a pregar a Palavra de Deus. Excelente ensino. Deus abençoe!!

Vera Paula

Excelente texto... Seria muito bom se as pregadoras desse uma boa lida nesse texto, que na verdade é um bom ensino.

Izaias Pedro

Muito bem esclafecida esta questão. Sou um grande admirador do Projeto Ciro. Que o Senhor continue lhe usando.

Reginaldo Torres

Amado pastor Ciro, o senhor sempre muito coerente e bíblico em suas colocações. Aprendi a admira-lo, respeita-lo e ama-lo como um irmão em Cristo! Louvo a Deus por sua vida!! Vamos usar nossos púlpitos para pregar a palavra de salvação e não pra ficar jogando piadinhas e dardos inflamados uns contra os outros. A baixo o feminismo e o machismo na igreja de Cristo. Voltemos ao evangelho puro e genuíno! Maran-Ata!!

Luisu choa neto

É meu pastor. infelizmente presisamos orar pela igreja, é muita confusão principalmente hoje os donos da igreja é quem manda

silvana gato penha freire

A paz do Senhor irmão. Parabéns pelas palavras esclarecedoras, falou tudo que penso, estava lendo e dando glórias a Deus por ainda existir homens como o senhor que são cheios do Espirito Santo. Eu fico triste e enjoadas com certas mulheres ditas pregadora do evangelho que espalham ao invés de ajuntar, que só sabem apontar o dedo e falar coisas antibíblica, e os ignorantes ainda aplaudem. Com Deus não se brinca, Ele fez e faz tudo certo, se Jesus não chamou nenhuma apostola é porque tem uma razão

Sílvio Douglas

Muito bom esclarecimento sobre essa confusão que está havendo nas igrejas de hoje pr! Que o Senhor continue lhe inspirando sempre!

Fatima

Concordo plenamente. Deus o abençoe grandemente. 🙏

Janes

Algumas ...nem mesmo o título de pregadores deveriam ter, já que não conseguem ministrar o evangelho, apenas propagam experiências pessoais e frases aleatórias. Não tenho paciência para ouvir nem mesmo 5 min de seus vídeos divulgados na internet, onde há muito de si e pouco de Deus.

Denise Agum

O que dizer diante do que aqui está escrito? Deus continue dando ao senhor sabedoria para expor com exatidão sua verdade imutável. Concordo com tudo que aqui escreveu.

Gabriel Ferreira

Muito bem colocado e explicado. "Eis aqui um verdadeiro Assembleiano, em quem não há dolo." risos Brincadeiras a parte. Deus o abençoe!

Sérgio Luís

Que Deus continue usando homens como o senhor... e as mulheres também! (risos)

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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