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Ciro Sanches Zibordi

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O que a Bíblia diz sobre o Milênio? (parte 3)

Qui, 03/03/2016 por Ciro Sanches Zibordi

Dando sequência a esta série — que será concluída com o próximo artigo, o qual será publicado até amanhã, se Deus quiser —, responderemos algumas importantes perguntas sobre o Milênio. Quando e onde será o Reino de Cristo na terra? Quais são as suas principais características? Leia com atenção e confira as referências bíblicas.

QUANDO SERÁ O MILÊNIO?

Em Lucas 21 — passagem correlata de Mateus 24 —, Jesus disse que Jerusalém seria pisada pelos gentios até que os tempos deles se completassem. A expressão “tempos dos gentios” (v. 24) alude ao tempo em que Israel permaneceria sob o domínio estrangeiro. Esse período começou quando uma parte dos israelitas foi levada cativa pelos babilônios, em 586 a.C., e terminará efetivamente quando Cristo inaugurar o Milênio. À luz do sonho que o Senhor deu a Nabucodonosor, mencionado no artigo anterior, o domínio dos gentios começou com a Babilônia (cabeça de ouro). Esse controle continuou com a coligação do Império Medo-Persa (peito e braços de prata); e com a Grécia (ventre e coxas de cobre).

Os tempos dos gentios avançaram com as pernas de ferro do Império Romano — isso alude a três coisas: (1) a extensão desse império (as pernas são a parte mais longa do corpo); (2) a sua divisão em Ocidental e Oriental (duas pernas); e (3) a sua rudeza ditatorial e totalitária (ferro). Esse período de domínio gentílico permanecerá até que os pés da estátua (o Império do Anticristo) sejam atingidos pela Pedra cortada sem mãos: Jesus Cristo, o Rei dos reis.

Nos tempos dos gentios, o mundo não melhorará em nenhum aspecto. Os elementos da estátua, como vimos no artigo anterior, foram ficando inferiores, além de terem sido descritos por Daniel de cima para baixo, da cabeça aos pés: ouro, prata, cobre, ferro, ferro com barro, até que tudo se transformou em pó. A Pedra virá do alto, do Céu, o que é uma alusão clara à Manifestação do Senhor em poder e glória para destruir os inimigos de seu povo, no Armagedom, e estabelecer o seu Reino na Terra (cf. Ap 19.11-16; 20.2-6).

ONDE SERÁ O MILÊNIO?

Alguns consideram o fato de Cristo reinar na Terra durante mil anos uma utopia. Dizem que Deus não desceria de sua alta posição para reinar no mundo. Tais teólogos, cuja fonte de autoridade é o próprio raciocínio, se esquecem de que o Senhor Jesus já fez algo muito mais inconcebível! Sendo em forma de Deus, aniquilou-se a si mesmo e viveu entre os homens como um servo! E mais: morreu como um homem pelos nossos pecados (Fp 2.6-8)! Por que não viria ao mundo para reinar com vara de ferro? Em 1 Coríntios 6.2 está escrito que os santos julgarão o mundo. Onde e quando será isso? No Juízo Final? Não! Esse julgamento será durante o reinado de Cristo (cf. Ap 11.15; 2.26,27).

As profecias são claras quanto ao fato de que a capital do Milênio será Jerusalém (Is 2.2,3; 62.4; 60.1-3; 66.20; Mq 4.8-13). Mas não devemos fazer confusão entre a Jerusalém terrestre e a celestial. A sede do governo de Cristo estará num lugar onde existe mar (Ez 47.15). E, acerca da Nova Jerusalém, está escrito: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe” (Ap 21.1). Cristo reinará, então, na Terra, na Jerusalém terrena (Ap 21.2). Não há dúvidas de que o “marido”, nessa passagem, é Jesus Cristo; e a Nova Jerusalém descerá para Ele.

Entretanto, os salvos transformados não estarão restritos à Jerusalém terrestre, em razão de já estarem em corpos glorificados (Rm 8.17,18,30; Cl 3.4; 1 Pe 5.1); eles terão livre acesso à Terra. Como isso será possível? Lembremo-nos de que os salvos terão um corpo semelhante ao do Cristo ressurreto (Fp 3.21). E o Senhor, após a sua ressurreição, além de não estar sujeito às leis da natureza, podia interagir com os seus discípulos (cf. Lc 24.15,31; Jo 20.19,26).

QUEM PARTICIPARÁ DO MILÊNIO?

No Milênio haverá dois grupos distintos na Terra: a Igreja glorificada e os povos naturais. Os salvos transformados, que já estarão com os corpos glorificados (Fp 3.20,21), terão incumbências nesse governo. Eles poderão interagir com os povos naturais, similarmente ao que aconteceu com Jesus, depois de sua ressurreição (Lc 24.39; Jo 20.19,27). Os judeus salvos, os gentios absolvidos no Julgamento das Nações, todos sobreviventes da Grande Tribulação, além do povo nascido durante os mil anos, também ingressarão no Milênio.

As pessoas cujos corpos não foram transformados terão o seu desenvolvimento normal; haverá, então, nascimentos e mortes. E, apesar de o Tentador estar aprisionado, o pecado ainda prevalecerá no coração dos não-glorificados (Is 65.20). Haverá um grande derramamento do Espírito, primeiramente sobre Israel, o qual terá início no fim da Grande Tribulação e se estenderá por todo o Milênio (Zc 12.10; Ez 36.27). Deus prometeu, por meio de Ezequiel: “Nem esconderei mais a minha face deles, quando eu houver derramado o meu Espírito sobre a casa de Israel, diz o Senhor JEOVÁ” (39.29).

Leia também Zacarias 6.12,13,15. Esta passagem não deixa dúvidas quanto à reconstrução do Templo, em Jerusalém, a qual se dará em algum momento, antes ou durante o Milênio. O certo é que, nesse período, a Casa de Deus estará em plena atividade; em Ezequiel 40-44 temos uma descrição profética detalhada sobre isso. Não haverá no Templo milenar a presença da arca, haja vista esta representar a presença daquEle que estará entre os seus servos, em pessoa, literalmente, reinando.

Israel possuirá toda a terra prometida. Os servos de Deus galardoados participarão do Reino de Cristo em toda a Terra (cf. Lc 19.17). Contudo, uma organização por Estados será feita pelo Senhor, tendo Israel como ocupante do território que o Senhor tencionou entregar-lhe no passado, isto é, desde o Mediterrâneo até ao rio Eufrates (cf. Gn 15.18; 17.8; Êx 23.31; Ez 48).

QUAIS SERÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO MILÊNIO?

1. Paz abundante (Is 54.13). Toda e qualquer oposição a Cristo será coibida. Não haverá a supremacia de uma nação, como vemos hoje. Embora a sede do governo seja Jerusalém, é Jesus quem reinará sobre a Terra, e não Israel: “naquele dia um só será o Senhor, e um só será o seu nome” (Zc 14.9). Não haverá nenhuma guerra (Ez 39.9,10; Is 2.4; Mq 4.3,4). O Egito e a Assíria — que hoje compreendem parte dos territórios da Síria e do Iraque — temerão ao Senhor, ao lado de Israel (Is 19.21-25). O que hoje é inconcebível, haja vista essas nações, em suas atuais configurações, representarem uma ameaça constante ao povo israelita, se tornará realidade.

2. Justiça para todos. Segundo a Palavra de Deus, o Rei dos reis “julgará com justiça os pobres, e repreenderá com equidade os mansos da terra, e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará o ímpio” (Is 11.2).

3. Grande fertilidade no gênero humano e moradia para todos. “E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão” (Zc 8.5; cf. Jr 30.19; 33.22; Os 1.10; Is 60.22; 65.22). Todos terão um lugar para morar: “E edificarão casas e as habitarão; plantarão vinhas e comerão o seu fruto. Não edificarão para que outros habitem, não plantarão para que outros comam, porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore, e os meus eleitos gozarão das obras das suas mãos até à velhice” (Is 65.21,22).

4. Longevidade e saúde (Zc 8.4,5; Is 65.19,20,22). Hoje há muitas enfermidades, todas decorrentes dos efeitos deletérios do pecado. O germe deste ainda estará no coração dos povos naturais; contudo, ele não mais terá poder sobre o corpo das pessoas: “E morador nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniquidade” (Is 33.24). A morte, pois, será uma exceção, e não uma regra (Is 65.20).

5. Ausência do instinto de ferocidade dos animais (Is 11.6-9; 35.9; 65.25; Ez 35.25). Eles não mais se atacarão nem serão agressivos quando os seres humanos deles se aproximarem; voltarão a comer ervas (Gn 1.30).

6. Prevalência do pecado entre os povos naturais. Satanás, o Tentador, estará preso, mas a natureza caída continuará a mesma nos povos naturais. Em razão das bênçãos do reinado e da presença pessoal de Cristo, a atividade pecaminosa será bem pequena: uns casos aqui e ali. Além disso, haverá grande temor, pois o Senhor agirá com rigor em relação àqueles que pecarem (Ap 19.15). Em Isaías 65.20 está escrito: “Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra os seus dias; porque o jovem morrerá de cem anos, mas o pecador de cem anos será amaldiçoado”. Esta profecia enfatiza que haverá morte no Milênio, não obstante a implícita menção do prolongamento da duração da vida humana (uma pessoa de cem anos será considerada jovem). Além disso, ela revela que existirão pecadores no mesmo período.

De acordo com Zacarias 14.17, o pecado não será removido da Terra no Reino Milenar. Nesta profecia vemos que haverá total ausência de chuva para as nações que não subirem a Jerusalém para adorar o Senhor. E isso é uma prova de que existirão desobedientes no Milênio. E eles serão punidos. O Senhor não obrigará ninguém a adorá-lo; Ele continuará respeitando o livre-arbítrio (Zc 14.16-18; cf. Dt 30.19; 2 Cr 7.14,15). No entanto, como Ele é o único Rei e Senhor — e essa verdade será ainda mais patente no Milênio —, quem não quiser adorá-lo sofrerá as consequências de sua má escolha (Zc 14.19; cf. Is 1.19,20).

Maranata!

Ciro Sanches Zibordi

9 comentários

Doroti Elsa Cordeiro

Eu fiz três vezes o curso de escatologia. 6 meses, 3 meses e 2 meses. Gosto muito de estudar está parte bíblica. Está corretamente como eu aprendi e concordo plenamente! Quero sempre participar. Eu gostaria de saber o que os glorificados ficarão fazendo no Milênio? Qual a missão deles? Ajudar os anjos? Pregar Evangelho, ensinar etc? Gostaria de saber mais sobre isto. Obrigada Pastor! A Paz!

Antonio Silva

Não posso acreditar que a Igreja glorificada, pode viver como povos não glorificados, seremos semelhantes aos anjos, se seremos vistos ou seja visivel, entao se verá: anjos arcanjos querubins e serafins

Miquels7

Pr. Ciro: tem que explicar que esta Terra será destruída com fogo somente APÓS o reino milenar (não ficará raiz nem ramo), quando se travar a 2ª fase da batalha do Armagedom; todas as obras dos homens serão destruídas. Depois disso Deus criará um novo céu e uma Nova Terra. Só os redimidos reinarão para sempre sobre as nações formadas por humanos mortais, que viverão eternamente porque comerão do maná escondido e do fruto da árvore da vida.

Roger Gomes

Uma questão que dividiu a nossa turma nesta última lição da Escola Bíblica Dominical é a parte que iremos (salvos) julgar os anjos. ( 1cor 3.6) Quem serão esses anjos? A grosso modo, os anjos bons ou os anjos caídos ? No mais agradeço seus comentários, tem enriquecido nossas aulas, que Deus continue te usando!

roberto

valeu que maneira simples de explicar e bem didática, Jesus continue te abençoando para nos esclarecer muitas coisa te amo irmão

LUCIANO SILVA

A paz do Senhor! Pr. Ciro, no Milênio haverá o derramamento do Espírito, certo? Mas acerca dos dons espirituais, vão cessar? ou vai ter uma outra forma de Deus operar? E como devemos entender a passagem de 1Co 13.8-10? ou a bíblia não da muitos detalhes? porque de acordo com a passagem que eu mostrei (1Co 13. 8-10), o vs 9 diz: "porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos".

Thiago

Paz do Senhor, O pessoal que morreu na grande tribulação, mas salvos em Cristo, vão ressuscitar para então viver no milênio?

Ângela Albertini

Paz do Senhor pastor Não entendi referente aos povos naturais que estarão aqui no milênio... de onde eles vão surgir?? Como vai existir pecado se Jesus já veio? Obrigada pastor, e desculpa minha ignorância.

Daniel Meurer

Paz do Senhor Pr. Ciro, Tenho uma duvida; em muitos livros de escatologia li que durante o milênio a Nova Jerusalém vai pairar nos ares sobre a terrena. Gostaria de saber se isso procede, porque nos referidos livros se cita alguns versículos olhando não consigo entender como chegar nesta conclusão, e sempre onde vi essa afirmação nunca ela é explicada apenas afirmada. Obrigado, Daniel Meurer

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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