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Ciro Sanches Zibordi

Ciro Sanches Zibordi

Entrevista exclusiva com o Papai Noel

Qua, 16/12/2015 por Ciro Sanches Zibordi

Acabei de conversar com o Papai Noel! Acredite. Tentei o contato, inicialmente, por celular, mas o “Bom Velhinho” não o atende de jeito nenhum. Tentei contato por telefone fixo. E nada. Depois de muita insistência, consegui falar com um dos seus duendes assessores e agendei quinze minutos de conversa pelo WhatsApp. Noel, que ainda está no Polo Norte se preparando para visitar bilhões de residências em todo o mundo, a partir da meia-noite do dia 25 de dezembro, fez declarações surpreendentes, bombásticas, nesta entrevista exclusiva. Acompanhe.

CSZ: Grande Papai Noel, que prazer falar com o senhor! Tudo bem? Em primeiro lugar, como devo chamá-lo?
Papai Noel: Ho, ho, ho! Boas festas! Gosto muito dos brasileiros! Os alemães me chamam de São Nicolau. Em Portugal, eu sou o Pai Natal. Nos Estados Unidos, o Santa Claus. Aí no Brasil, muitos me chamam de Noel, mesmo. Mas também gosto muito de ser chamado de Bom Velhinho.

CSZ: Ah, sim, Bom Velhinho... Noto que o senhor é bem diferente do Aniversariante, o Senhor Jesus Cristo, que — inexplicavelmente — é esquecido nesses dias de festas natalinas. Ele, quando veio ao mundo, foi chamado por um rapaz de bom, e disse que bom era Deus, dando toda a glória para o seu Pai.
Papai Noel: Em primeiro lugar, para que continuemos a conversar, meu filho, me poupe dessas comparações, pois muitos gostam de me criticar nessa época. Já me falaram até que a pessoa citada — prefiro não mencionar o seu nome —, além de ser o verdadeiro Aniversariante, tem o melhor presente só porque declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”. Por favor, não me compare com Ele. Eu sou bom porque faço a alegria das crianças, e elas me adoram! Aliás, elas apenas gostam muito de mim. Quem me adora mesmo são os adultos!

CSZ: Desculpe-me. Mas, e as crianças miseráveis do continente africano, do Brasil... O que o senhor tem feito por elas?
Papai Noel: Ho, ho, ho! Você acha que eu tenho tempo para os pobres? Não sou como certo Belemita, que viveu numa pobre cidade chamada Nazaré e tinha prazer em estar com os pobres. Eu até fico com pena das crianças pobres, pois elas acreditam mais em mim que as ricas. Mas é a vida, meu filho. Temos de agradar aqueles que podem nos dar alguma coisa em troca.

CSZ: Como assim, Papai Noel? Essa sua mentalidade parece a mesma dos pregadores da Teologia da Prosperidade. O senhor também propaga essa falácia?
Papai Noel: Oh, sim! Ho, ho, ho! Eu sou o próprio deus dessa teologia! E os pregadores dessa teologia são os meus servos!

CSZ: O quê?
Papai Noel: Isso mesmo. As pessoas que seguem à Teologia da Prosperidade me cultuam, mesmo sem ter consciência disso.

CSZ: Sim, eu sei que muitas criancinhas creem que o senhor lhes traz presentes, mas nunca imaginei que se considerasse um deus.
Papai Noel: Ho, ho, ho! Você não conhece nada a meu respeito. As crianças não são as minhas verdadeiras seguidoras. Elas vivem no mundo da fantasia e acreditam ingenuamente em mim apenas no mês de dezembro. Mas os meus verdadeiros seguidores são pessoas adultas, interesseiras, que vão a templos evangélicos durante o ano todo, não para cultuar o Belemita, o Nazareno, do qual elas se dizem discípulas. Elas só querem receber presentes. E, com isso, as minhas igrejas-negócios só crescem!

CSZ: E o senhor dá a essas pessoas o que elas realmente sonham?
Papai Noel: Ho, ho, ho! Não me faça rir. Você acredita em Papai Noel? Na verdade, elas se iludem, e algumas delas acabam sendo abençoadas pelo Belemita, que se compadece delas. E, graças a Deus — ops! —, elas não reconhecem isso. Preferem dizer que as suas vidas mudaram porque foram à igreja tal, participaram da campanha tal, conheceram o apóstolo fulano de tal... Dificilmente, para a minha alegria, glorificam o Homem de Nazaré.

CSZ: Eu não acredito que o senhor está enganando essas pobres pessoas sonhadoras. Quem é o senhor, de fato?
Papai Noel: Como eu já lhe disse, por um lado estou nas fantasias das crianças. Não sou real. Por outro, estou no coração de muitos que se dizem seguidores do Belemita, porém seguem aos ensinos dos meus liderados, que se apresentam com títulos variados: patriarcas, bispos, apóstolos, conferencistas internacionais... É claro que existem os verdadeiros representantes do Homem de Nazaré, os apologistas que se levantam contra a minha obra, mas eles são minoria.

CSZ: Mas, Noel, o senhor está enganado. Nessa época do ano, a maioria dos cristãos se opõe ao senhor e verbera contra coisas pagãs, como árvore de Natal, Papai Noel etc. Todos nós sabemos que você nada tem que ver com o verdadeiro sentido do Natal.
Papai Noel: Ho, ho, ho! Aí é que você se engana. Alguns pais são tão rigorosos, a ponto de proibirem as pobres criancinhas de tirar fotos com aquele exemplar de Papai Noel no shopping center. Eles tiram delas a alegria de abraçar um velho fofinho, simpático e sorridente, em dezembro. Mas, na verdade, eles — paradoxalmente — me cultuam durante o ano todo!

CSZ: O senhor pode explicar melhor como isso ocorre?
Papai Noel: Claro. Eu me aproveito das necessidades das pessoas e do fato de elas serem, por natureza, interesseiras. Por exemplo, é difícil ouvir cristãos dizendo que vão aos cultos para adorar o Nazareno. Antes, afirmam: “Hoje eu vou lá buscar a minha bênção”. E, quando chegam ao templo, os meus liderados tiram proveito disso, massageando os seus egos e lhes dizendo que a vitória financeira e a realização de todos os sonhos estão garantidas, pois o seu deus (no caso, eu), que sonhou todos os sonhos deles, está ali para mudar as suas histórias. Conclusão: todos participam de campanhas para receber prosperidade e a unção financeira dos últimos dias.

CSZ: Quer dizer que o senhor também está por trás dessa polêmica unção financeira?
Papai Noel: Olha, meu filho, se é polêmica, eu não sei. Só sei que o Natal dos meus liderados será gordo! Ho, ho, ho! Alguns têm comprado até jatinhos! Eles estão melhores do que eu, pois ainda estou andando de trenó. Ho, ho, ho!

CSZ: (Não acredito que estou lendo isso!) Papai Noel, por favor, uma última pergunta, pois eu sei que o senhor está se preparando para visitar muitas casas à meia-noite do dia 25.
Papai Noel: Sim, é verdade. Mas também tenho visitado inúmeras igrejas evangélicas para entregar aos meus seguidores várias “caixas de presente”. Antes que você pergunte, essas “caixas” são, na verdade, as palavras de vitória que os meus liderados dizem aos pobres sonhadores, nessa época: “Você nasceu para vencer”, “2016 será o ano da colheita”, “A sua história mudará”, “Ouse sonhar”.

CSZ: Bem, finalizando, muitos estão preocupados em condenar o lado fantasioso e consumista do Natal: árvores, enfeites, fotos com Papai Noel no shopping, ceia de Natal, troca de presentes... E o senhor me mostrou que existe um problema muito maior: um culto tácito, indireto, ao deus Papai Noel. Mas, por que o senhor faz questão de iludir as pessoas?
Papai Noel: Na verdade, meu filho, eu estou a serviço do príncipe deste mundo, também conhecido como o deus deste século, e ele odeia o Belemita. O maior prazer do meu chefe é afastar as pessoas, mesmo as que estão dentro das igrejas, do verdadeiro sentido do Natal.

CSZ: Ah, entendi. Agradeço-lhe, senhor Noel, pela importante e reveladora entrevista que nos concedeu. Deixe uma última palavra aos evangélicos brasileiros, por favor.
Papai Noel: Ho, ho, ho! Nunca digam “Feliz Natal” ou “Merry Christmas”! Não digam nada que faça as pessoas se lembrarem do Menino de Belém. Digam apenas “Boas Festas” ou “Happy Holidays”. Continuem dizendo que o Natal é uma festa pagã e verberando contra essa celebração. Assim, eu ganho duas vezes, pois ninguém fala da encarnação do Homem de Nazaré e ainda me cultua, tacitamente. Ho, ho, ho!

Ciro Sanches Zibordi

16 comentários

davi antonio de assis

sou leitor assíduo de sua obras, gosto de sua abordagens bem humoradas. Continue assim

Letícia Cavalcanti

O assunto dos usos e costumes é, realmente, complicado. Eu sou da IEADPE, uma Assembleia de Deus que, segundo uma prima minha, se distanciou um pouco das outras do Brasil por, dentre outros motivos, este dos usos e costumes. Hoje mesmo eu estava pensando sobre isso, para variar :) , e me deparando com, de fato, uma "crise existencial". :/ Quanto a "Papai Noel", às vezes, falta coerência mesmo. Adoramos a um Deus que é Pai, mas não "Papai Noel".

Morais

Pastor Ciro Sanches, a Paz do Senhor sou Diácono na Assembleia de Deus em Feira de Santana-Ba, e gostaria que sugerisse a Convenção a edição de uma revista da EBD em que fosse abordado em 1 trimestre uma polêmica questão na atualidade dentro das Assembleias de Deus no Brasil: USOS E COSTUMES. Pois a igreja encontra-se mergulhada em uma severa crise de Identidade em que os Líderes já não falam mais sobre esta temática sobre os Púlpitos. Por que não mais abordam? Vistas Grossas? Temor da Elite?

Celita Louback Welsch

Amado pastor e querido amigo Ciro , Achei muito cool, esta mensagem e útil para devagarzinho irmos trazendo amis e mais entendimentos às pessoas que ainda se copmportam como ignorantes. Já vi pastores dizerem que amam o natal por causa de Santa Claus. O símbolo da gastança, é instigada no consumo de presentes que não trazem a alegria do verdadeirto Natal. Podemos, com um esforço, com o gotejar da verdade . Que maneira alegre e bem direta, objetiva e simples de falar sobre o bom velhinho.

Letícia Cavalcanti

Obrigada pelo esclarecimento, pastor! :)

Ciro Sanches Zibordi

Sim, prezada Letícia, Noel diz respeito ao Natal. Por isso, em francês, Feliz Natal é "Joyeux Noël". Abraços. Feliz Natal para a irmã! E grato pelos comentários.

Letícia Cavalcanti

Falei sobre um episódio meu com um de meus sobrinhos em outros comentários e,vale salientar,eu tinha consciência de que ele já era uma criança bem crescida, com uns 10 anos na época, de modo que,muito provavelmente, já sabia que aquela história de "Papai Noel" é invenção,ilusão...Ele claramente só ia tirar foto por tirar.. Se ele fosse menos consciente,eu não sei se eu teria coragem de levar ele a crer nas ilusões. É estranho que "Noel" significa nascimento, não sendo usado só em "Papai Noel"...

Letícia Cavalcanti

É complicado...A correria do dia a dia é um agravante de tudo, na minha opinião. Muitas vezes, os pais não têm muito tempo para estar com os filhos, para dar uma boa educação religiosa aos filhos... E sucumbem ao que está mais facilmente a disposição para dar uma alegria momentânea... Quando eu, certa vez, aceitei tirar fotos de um sobrinho meu num shopping junto a enfeites natalinos seculares, eu estava com a consciência de que eu passava pouco tempo com o menino; vi uma amiga lá trabalhando :[

Letícia Cavalcanti

Eu tenho, como disse em um comentário anterior, um sobrinho que é da Igreja Internacional da Graça. Acho interessante que a igreja onde ele congrega fica "um pouco" distante da casa dele... Mas a distância física certamente não é o maior problema... Eu sou da Assembleia de Deus. Certa vez, há alguns anos, eu fui com esse meu sobrinho a um shopping no Natal e, lá, mesmo reconhecendo eu os erros ligados a símbolos natalinos típicos do consumismo, eu tirei fotos do meu sobrinho junto a eles...

Letícia Cavalcanti

A paz do Senhor, pastor Ciro! Feliz Natal para o senhor e sua família! Eu acho que é complicado mesmo retirar todos os símbolos do paganismo que já estão tão incorporados ao modo de viver secular. Eu tenho seis sobrinhos. A maioria deles "tende" mais a ser da Igreja Católica, pelo que eu acho... Mas um deles é da Igreja Internacional da Graça e, embora eu não concorde muito com essa denominação, eu nunca tive oportunidade ou vontade de falar algo para ele sobre isso... Ele ainda é criança...

Ciro Sanches Zibordi

José Mauro Torres, wow! Também não esperava ler o que acabei de ler na seção de comentários deste blog. Mas devemos estar preparados para responder com mansidão e temor a todos (1 Pe 3.15). Sugiro que o irmão estude um pouco sobre figuras de retórica, pois a própria Bíblia está repleta de figuração de linguagem. Se quiser criticar, fique à vontade, mas seja coerente e use as Escrituras. A paz do Senhor.

Sérgio Luís

Seria cômico, senão fosse trágico. Mas é verdade.

José Mauro Torres

Que Deus o abençoe, não esperava ler isto de um PASTOR, acabei de falar com CHICO XAVIER e ele confirmou tudinho.

Deus te abençoe a cada dia Pastor Ciro .

Que Deus continue te usando Pastor Ciro , para muito aprender o verdadeiro Evangelho .

Ciro Sanches Zibordi

Risos... Que Deus abençoe, pastor Ricardo Alves Leone!

Ricardo Alves Leone

Pr. Ciro, a paz do Senhor! Excelente artigo, vai deixar muitos dos citados no texto de 'cabelo em pé', kkk. Verberam contra os símbolos do Natal, mas no coração cultuam o 'papai noel'. Pr. Ricardo Alves Leone

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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