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Ciro Sanches Zibordi

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O cristão, o Natal secular e a idolatria

Qua, 16/12/2015 por Ciro Sanches Zibordi

O cristão que se preza conhece a Palavra de Deus e sabe — evidentemente — que o Natal de Cristo nada tem a ver com o Natal secular, o qual abarca símbolos como pinheirinhos, bolas coloridas e o velho Noel. O servo do Senhor tem a “mente de Cristo” (1 Co 2.14-16) e, por isso mesmo, não confunde o ser pagão com o estar em um mundo pagão. O ser pagão é ser, objetivamente, um idólatra e praticar algum tipo de idolatria de modo consciente, pondo o objeto idolátrico no lugar do Senhor Jesus. E, nesse caso, o crente fiel e temente a Deus, ainda que esteja em um mundo cheio de coisas oriundas do paganismo, jamais tomará parte consciente e objetivamente do paganismo.

Na Escrituras há mandamentos claros quanto à idolatria (cf. 1 Co 10.7,14; 1 Jo 5.21). Mas, o que é a idolatria? Este termo é uma transliteração da palavra grega eidololatria, que denota adoração a ídolos, a imagens, como se fossem divinas e sagradas. Praticar a idolatria significa prestar objetiva e conscientemente honras divinas a qualquer produto de fabricação humana, ou atribuir poderes divinos a operações puramente naturais. Isso está de acordo com o segundo mandamento do Decálogo: “Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura” (Êx 20.3,4).

No Novo Testamento, o conceito de idolatria constante do Decálogo foi ampliado (cf. Gl 5.20; 1 Co 5.11). Para os israelitas, os dois mandamentos citados restringiam-se à adoração aos deuses de ouro, prata, madeira, barro etc. Hoje, qualquer tipo de idolatria (idolatria, mesmo!) é vedado ao povo de Deus. A avareza — apego sórdido ao dinheiro —, por exemplo, é retratada como uma forma de idolatria (Ef 5.5), um sentimento que impede o ser humano de amar a Deus sobre todas as coisas (Mt 19.24; Lc 12.16-21; 1 Tm 6.10). A idolatria nunca é praticada inconsciente ou subjetivamente. Quem adora imagens de escultura, mesmo fazendo isso por ignorância, fá-lo de maneira intencional, consciente. Quem adora Mamom, da mesma forma, faz isso porque o seu coração está nas riquezas (Mt 6.19-24). Quem idolatra o mundo, como o desviado Demas (2 Tm 4.9), também coloca, de modo consciente, as coisas mundanas no lugar de Deus (1 Jo 2.15-17; Tg 4.4-8).

Bem, se a idolatria é um pecado praticado de modo consciente; se o idólatra peca de modo objetivo, pondo o objeto de sua adoração no lugar de Deus, por que chamar de idolatria o ato de enfeitar uma casa com um pinheirinho, luzes e bolas coloridas, no mês de dezembro? O cristão que enfeita sua casa está, consciente e objetivamente, colocando a decoração do Natal secular no lugar de Deus, sendo temporariamente um idólatra? Ou ele faz isso porque gosta desse período de confraternizações, aprecia o belo e quer externar sua alegria diante de todos e perante seus familiares? “Mas, e o boneco do Noel não é um objeto idolátrico, uma vez que está ligado ao paganismo?”, alguém poderá perguntar.

O boneco do Noel serve objetivamente para o culto aos deuses? Considerando que a idolatria está no coração, um boneco do Noel sobre a mesa, por exemplo, seria apenas e tão-somente um boneco sobre a mesa. “Ah, então o cristão pode colocar a imagem de um ‘santo’ do catolicismo sobre a mesa?”, alguém poderá questionar. Ora, por que um cristão colocaria uma imagem desse tipo sobre a sua mesa? Apenas como um enfeite? Na verdade, quem coloca uma imagem de escultura sobre sua mesa fá-lo porque a vê como um objeto idolátrico. Mas isso se aplicaria a quem põe um boneco do Noel ou um pinheirinho sobre a mesa?

Uma pergunta que faço a quem se opõe ferrenhamente a enfeites do Natal secular, a ponto de chamar de idólatras quem os utiliza, é: “O irmão mantém esse mesmo rigor com todas as coisas, sobretudo com as influências filosóficas, que causam os maiores estragos entre nós, como o pragmatismo, o relativismo, o multiculturalismo etc.?” Afinal, o “não vos conformeis com este mundo” de Romanos 12.1,2 diz respeito muito mais às vãs filosofias deste século do que a objetos pretensamente idolátricos. Há crentes, por exemplo, que são rigorosos quanto ao Natal secular, mas durante o ano todo servem, por assim dizer, ao “deus Noel”, frequentando cultos apenas para receber bênçãos, e não para adorar a Deus, de fato. Não deveríamos nos preocupar muito mais com a Teologia da Prosperidade, o endeusamento humano, a animação de auditório, a egolatria, o culto antropocêntrico etc. do que com enfeites do Natal secular?

Penso, sinceramente, que o cristão que enfeita sua casa no mês de dezembro não faz isso por idolatria ou por ser pagão, e sim porque se alegra com essa época festiva do ano e deseja externar esse sentimento junto aos seus familiares e diante das pessoas ao seu redor. E, se isso é verdade — e eu creio que o seja —, tomemos muito cuidado com o legalismo farisaico, que a nada leva, a não ser ao fanatismo (cf. Mt 23; Cl 2.20-23). Feliz Natal a todos!

Ciro Sanches Zibordi

9 comentários

LUCIANO FERREIRA PEDROSO

Entendi perfeitamente o texto. Mudei o meu conceito. O legalismo é um obstáculo muito sério à fé cristã. Realmente se filtra muito mosquito e se engole muitos camelos...Deus o abençoe Pr Ciro!

Ciro Sanches Zibordi

Caro José Mauro, respeito sua opinião, mas discordo completamente dela. O Natal é uma celebração genuinamente cristã, pois tem apoio da Palavra de Deus, visto que os anjos foram os primeiros a se alegrar com o nascimento do Senhor e Salvador. Eu, seguindo esse exemplo, me alegro, e muito, celebro o Natal e tenho prazer em falar daquEle que se encarnou para revelar a glória do Pai, morreu por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação! Glória seja dada ao Verbo de Deus! Feliz 2016!

José Mauro Torres

Pr. Ciro, A PAZ DO SENHOR JESUS. Eu entendo tudo o que o senhor tem escrito e, não posso concordar, no meu ver o NATAL é a maior festa profana, por que profana o nosso DEUS, acredito que não podemos esquecer que junto da reforma veio também o ranço da IGREJA ROMANA . Não vejo o natal como uma festa cristã, comemora-se tudo menos o SENHOR JESUS. Obrigado pela atenção e a oportunidade de expressar o que penso.Feliz 2016.

Ciro Sanches Zibordi

Caro José Mauro Torres, a paz do Senhor. Lamento que o irmão, a despeito de escrever bem, não tenha tido a perspicácia necessária para entender o raciocínio lógico expresso no texto. Só posso, além lamentar, sugerir que o irmão leia o texto de novo, devagar, com calma... Deus não exige sacrifícios exagerados de nós. Somos livres! O cristianismo não é legalista. Por isso, o Senhor Jesus verberou contra os fariseus em Mateus 23, os quais "coavam mosquitos e engoliam camelos". Que Deus o abençoe.

José Mauro Torres

Concordo plenamente com o irmão, principalmente como mostra Rm. 12:1,2. Seguindo o mesmo raciocino do irmão, não vejo nenhum obstáculo de participar do carnaval, principalmente este ano que a N S APARECIDA vai ser a homenageada, até as luzes, as cores tem muito haver com o natal, PAPAI NOEL E REI MOMO são iguais. Quero ver como vai ser a apresentação da rainha da bateria. Uma pessoa como o senhor, com um belo curriculum e ainda tentar convencer sobre o nascimento de Jesus, é brincadeira.

Ciro Sanches Zibordi

Julimar, a paz do Senhor. Por favor, leia o texto de novo, devagar, com calma... Se desejar, leia também os outros textos neste blog sobre o Natal. Tenho a impressão de que o irmão não entendeu o que escrevi. Abraços.

Felipe Fiuza

Muito bom seus comentários a respeito do Natal.Sou seu fã pastor Ciro,Homem de Deus,sábias palavras!

Felipe Fiuza

Muito bom seus comentários a respeito do Natal.Sou seu fã pastor Ciro,Homem de Deus,sábias palavras!

JULIMAR DA SILVA SANTOS

Bom se não há idolatria em enfeitar a casa nesta época, poderia me dizer por favor por que não há enfeites na semana santa? por ex: fazer de nossa casa um cemiterio para o funeral de JESUS? poderiam fazer festas na sua ressurreição,presentear familiares e amigos e depois onde está na PALAVRA DE DEUS os anivesários dos personagens? principalmente JESUS? vejo sim uma desculpa esfarrapada para o mercado mundano e anticristo. Famiílias que se encontra só para trocar presentes. JESUS É ETERNO ,amor.

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Perfil

Ciro Sanches Zibordi é pastor, escritor, membro da Casa de Letras Emílio Conde e da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Autor do best-seller “Erros que os pregadores devem evitar” e das obras “Mais erros que os pregadores devem evitar”, “Erros que os adoradores devem evitar”, “Evangelhos que Paulo jamais pregaria”, “Adolescentes S/A” e “Perguntas intrigantes que os jovens costumam fazer”, todos títulos da CPAD. É ainda co-autor da obra “Teologia Sistemática Pentecostal”, também da CPAD.

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