O cientista que “chegou perto (sic) de sintetizar uma forma de vida em laboratório” diz ser arcaico na ciência o pensamento de que o seu papel seja “construir vida do zero”
Quando em maio passado a imprensa alardeou o “grande” feito realizado pelo cientista estadunidense Craig Venter, dando a impressão de que ele havia criado vida em laboratório, aguardei o resultado, pois conheço o mau costume e, em algumas ocasiões, a postura desonesta da mídia em relação a esses assuntos. Não demorou nada, a verdade veio a público e “tudo” se esclareceu. Esse fato ilustra muito bem o que denuncia o jornalista Ricardo Kauffman no documentário “O abraço corporativo”. Em uma matéria assinada por Gilberto Scofield Jr., a página eletrônica do jornal O Globo, noticiou que o pequeno documentário que possui uma duração de apenas 75 minutos, não passa de uma inspirada crítica à voracidade midiática em “produzir” notícias (isso mesmo, produzir!).
Kauffman afirma que o “filme tem como foco o processo de produção de material jornalístico e mostra como, via de regra, quem está na posição de apurar e publicar notícias não tem tempo ou cuidado para checar a relevância ou profundidade do que é veiculado”. O personagem principal do filme é o consultor de RH Ary Itnem, que em 2006, conseguiu popularidade “dando entrevistas sobre relacionamento interpessoal nas empresas e sobre a teoria do abraço para praticamente todos os grandes veículos nacionais”. A matéria do site do jornal carioca O Globo, afirma que tudo “não passaria de um filme sobre mais uma das milhares de teses escalafobéticas do mundo corporativo, não fosse por um simples fato: o consultor de RH Ary Itnem não existe, e seu nome, ao contrário, quer dizer ‘mentira’”. O personagem Itnem, é interpretado pelo ator Leonardo Camillo, e foi criado por Ricardo Kauffman “a partir de uma discussão com outros amigos jornalistas sobre como se fabricam notícias no Brasil. Ou melhor: como os veículos de comunicação, sem tempo ou paciência para checar dados e informações, simplesmente aceitam como fato tudo o que lhes é apresentado com aparência de verdade”.
A coisa funciona mais ou menos assim: “Depois que a gente alardear, o negócio cai no marketing viral. Se a verdade for outra, produzimos uma diminuta nota à guisa de errata”. Todavia, é preciso ter compromisso jornalístico e epistemológico. E isso, é lamentável admitir, mas parece não mais haver. Nem por parte de quem informa, nem por parte de quem produz ciência. Depois que li a resenha de Sara Bizarro, para a revista Disputatio, acerca da obra Imposturas Intelectuais ― trabalho em que os físicos Alan Sokal e Jean Bricmont têm como objetivo criticar as produções acadêmicas que se tornam válidas apenas por conter citações de autores “pós-modernos” ―, fiquei praticamente convencido de que, infelizmente, minhas desconfianças têm um grande fundamento. O livro relata inicialmente a experiência de um dos autores — Alan Sokal — que, ao apresentar um artigo para a revista Social Text (revista destinada à publicação científica), não somente alcançou a façanha de tê-lo publicado, mas também obteve o privilégio de ver o seu texto incluído em uma edição especial do periódico que tratou das “implicações sociais e filosóficas da ciência”. O título do artigo já soa o suficientemente estranho para se perceber que existe algo muito errado: “‘Transgredir as fronteiras: em direção a uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica”’. Segundo Sara Bizarro, o “artigo era uma paródia construída à volta de citações de autores franceses bastante conceituados”, e nele, “Sokal defende uma série de ideias disparatadas acerca das implicações filosóficas e sociais das ciências naturais e da matemática”.
A maior façanha dos autores, em minha opinião, não consiste simplesmente no fato de eles terem conseguido denunciar a falta de critérios que existe nos círculos acadêmicos quando se usa os nomes de autores considerados pós-modernos em citações, mas principalmente na demonstração do quanto há de arrogância na produção científica desses mesmos cientistas que, segundo os físicos, “abusam de conceitos e termos provenientes das ciências físicas e da matemática de tal forma que a sua honestidade intelectual pode ser posta em causa”. Uma vez que a maioria dos autores é formada por estudiosos das ciências humanas, soa no mínimo pedante, o uso abusivo que eles fazem de “termos e conceitos técnicos das ciências físicas e da matemática para defenderem certas teses filosóficas e políticas”. Segundo Sara Bizarro, os autores do livro Imposturas Intelectuais se propõem, devido à sua especialidade em física, a provar quatro acusações dos “cientistas pós-modernos”, apontando as suas incorreções na “utilização de conceitos científicos”. São elas:
1. Os autores usam uma terminologia científica sem saberem bem o que ela significa.
2. Os autores importam noções das ciências exatas sem darem a mínima justificação empírica ou conceitual para essa importação.
3. Os autores exibem uma erudição superficial atirando sem pudor palavras complicadas à cara do leitor em contextos em que essas palavras não têm qualquer pertinência. A finalidade é provavelmente a de impressionar e intimidar o leitor que não tem conhecimentos científicos.
4. Os autores manipulam frases sem sentido e usam indiscriminadamente jogos de palavras provocando uma verdadeira intoxicação verbal combinada com uma indiferença soberba pelo significado que essas palavras possam ter.
A conclusão dos físicos, é que a razão de os “pensadores pós-modernos” produzirem textos que “parecem incompreensíveis talvez seja porque realmente não dizem nada”. Sandra Bizarro afirma que esta “acusação é dolorosamente provada através da citação e análise de blocos de textos dos autores [pós-modernos]”. É importante entender que Alan Sokal e Jean Bricmont explicam que os autores identificados como pós-modernos não se autodenominam dessa forma, mas “os seus textos são, em geral, considerados como uma espécie de bíblias sobre as quais é construído o discurso ‘pós-moderno’”. Assim, retomando a conclusão a que Sokal e Bricmont chegaram, nos textos analisados “são usadas ideias das ciências físicas e da matemática que os autores, ou não compreendem, ou distorcem com a finalidade de defenderem determinadas teorias filosóficas”. Para mim, a segunda opção é mais provável. Primeiro porque na tentativa de esclarecer “o caráter político das posturas ditas pós-modernas”, os físicos afirmam que a “tese filosófica favorita do pós-modernismo costuma ser uma ou outra forma vaga de relativismo”. Segundo, por um único detalhe que percebi na resenha de Sandra Bizarro: os físicos parecem não fazer menção do desconstrucionismo, mas é evidente que os “autores pós-modernos” que estão sendo criticados, ao utilizarem, inadvertida e arbitrariamente, expressões de outras áreas do conhecimento, estão sendo desconstrucionistas. Todos sabem que essa postura filosófica procura oferecer a falsa impressão de que as palavras tem o significado que cada um quer dar.
Finalmente, algo que eles defendem e que já afirmei no texto A humanidade e o fenômeno religioso, é a enganosa “ideia de que a ciência [exata e humana] pode ser organizada segundo regras fixas e universais”. Segundo eles, tal ideia “é utópica e prejudicial”. Isso pela simples e óbvia verdade de que toda e qualquer investigação científica depende do fenômeno a ser estudado. Assim, as “ciências exatas são mais bem sucedidas porque seus objetos de estudo são, em geral, mais simples e mais controláveis”, ao passo que as “ciências humanas têm objetos mais complexos, mas não são radicalmente diferentes das ciências exatas, pelo menos no que diz respeito a requisitos mínimos de racionalidade”. Outra posição defendida pelos autores e que, no mesmo artigo que escrevi e citei acima, também defendo, é que “a epistemologia tradicional, ao tentar traçar uma linha entre as ciências exatas e outras atividades racionais humanas, idealizou as ciências exatas criando delas uma imagem insustentável”. Essa postura é um desserviço que se faz à ciência, pois foi exatamente em reação a ela que surgiram posições irracionais nos círculos acadêmicos. Sara Bizarro diz que a “proposta de Sokal e Bricmont é a de que existe apenas uma racionalidade humana e ela encontra-se em todas as áreas de investigação que pretendem dizer algo acerca do mundo”.
Acho interessante a honestidade de Alan Sokal e Jean Bricmont ao dizerem que, mesmo admitindo o fato de ser utópica a visão de regras fixas e universais para a ciência, isso não significa que “em ciência ‘vale tudo’”. Eles reconhecem uma exacerbação na epistemologia tradicional da “distinção clássica” que existe “entre contexto da descoberta e contexto da justificação”, mas isso não significa que não haja nenhuma distinção. A grande surpresa é saber que a publicação dessa obra aconteceu há 14 anos. Enquanto no Brasil, ao menos nos círculos cristãos pentecostais, a discussão sobre a influência do pós-modernismo na ciência, na política, na teologia e na religiosidade só começou a ser seriamente refletida no início desse século, na Europa e nos Estados Unidos, devido a precocidade de suas influências, as prevenções também se iniciaram um pouco mais cedo. Uma das primeiras prevenções é justamente não ser ingênuo e acreditar em tudo que se diz por aí em nome da ciência antes de se ter as evidências. E isso foi muito bem feito na obra Imposturas Intelectuais, onde os autores desmontam as falácias com ares de ciência. É claro que isso não significa que tenho prazer por esse tipo de comprovação, pois quem desejaria estar a bordo de um avião e saber que a formação dos projetistas responsáveis pela aeronave consistia apenas em operar aviões de brinquedo nas horas vagas? Muitos erram ao elencar as motivações escusas que fundamentam algumas teorias, métodos ou descobertas, pois esses aspectos negativos não devem servir como mote para rejeição total da ciência, pois essa postura evidencia uma espécie bem conhecida de obscurantismo. Como afirmou a autora da resenha, em “vez de apontarem o que há de pior na ciência, elas [a crítica dos autores pós-modernos] atacam o que há de melhor ― o fato de ser uma tentativa racional de compreensão do mundo”. Ou seja, os apologistas do ceticismo (desconstrucionistas) e até supostos apologistas cristãos acabam criando um tipo de anorexia ou fastio epistemológico e aversão ao saber, que não beneficiam ninguém, a não ser, é claro, os que sabem utilizar a ignorância alheia para manipular as massas.
Voltando à descoberta alardeada pela mídia em maio passado, parece que a postura de Craig Venter — o homem que supostamente havia criado vida em laboratório e realizado a maior ambição da ciência —, é exatamente a mesma dos autores franceses pós-modernos os quais são criticados por Sokal e Bricmont. Com muita verborragia e jargão filosófico, o americano dá a impressão de ter o costume de produzir notícias em torno de seus “prodígios científicos” como se eles fossem “voos solos”. Na introdução da entrevista que concedeu à revista Veja (edição 2173, n°28), a jornalista Gabriela Carelli diz que Craig Venter “tornou-se uma celebridade instantânea há dez anos, quando anunciou a conclusão do mapeamento do genoma humano”. O único problema, é que, como diz a própria jornalista, um “consórcio internacional chegou ao mesmo objetivo junto com Venter, mas ele ficou com toda a fama”. Além do mais, é conhecido o fato de que tal projeto contou também com a participação de Francis Collins, um biólogo americano que foi diretor do Projeto Genoma Humano, e que desistiu do ateísmo aos 27 anos, depois de iniciar seus estudos em medicina e ouvir diversos testemunhos de fé religiosa. Quando a jornalista mencionou o nome do geneticista Francis Collins, dizendo que ele “também [é] responsável pelo mapeamento do genoma humano” e “um cristão fervoroso”, e na sequência inquiriu Craig Venter acerca da possibilidade de “conciliar religião e ciência”, ele simplesmente disse “Não”.
Por sua vez, Francis Collins, na introdução de sua obra A Linguagem de Deus, responde à mesma pergunta feita a Craig Venter “com um sonoro sim!”. Ou seja, para Collins é perfeitamente possível “uma harmonia satisfatória entre as visões de mundo científica e espiritual”. Apesar de Venter ter dito que é “muito difícil ser um cientista de verdade e acreditar em Deus”, não me consta que Collins seja um cientista de segunda categoria por pensar diferente. Ele simplesmente afirma que o “domínio da ciência [leia-se “ciência exata”] está em explorar a natureza”, enquanto que o “domínio de Deus encontra-se no mundo espiritual, um campo que não é possível esquadrinhar com os instrumentos e a linguagem da ciência”. Na sequência, Collins acrescenta que o “domínio de Deus” “deve ser examinado com o coração, com a mente e com a alma — e a mente deve encontrar uma forma de abarcar ambos os campos”. Enquanto Craig Venter exprime seu ateísmo como se fosse ciência (em outras palavras, comete uma desonestidade epistêmica) e diz que o “ser humano sempre tenta achar uma força misteriosa para explicar suas falhas, fraquezas e dúvidas”, mas “a vida começa com o nascimento e termina com a morte” (Com base em quê ele pode afirmar isso com tanta certeza?), e conclui destilando seu modo existencialista de viver: “Se todas as pessoas aceitassem isso, aproveitariam mais sua vida, exigiriam mais de si mesmas e não desperdiçariam chances”. Francis Collins defende a ideia de que se as perspectivas — fé e ciência — coexistissem em qualquer indivíduo, enriqueceria a “experiência humana”, pelo simples fato de que, mesmo reconhecendo que a “ciência é a única forma confiável para entender o mundo da natureza” e que “e as ferramentas científicas, quando utilizadas de maneira adequada, podem gerar profundos discernimentos na existência material”, a “ciência, entretanto, é incapaz de responder a questões como: ‘Por que o universo existe?’; ‘Qual o sentido da existência humana?’; ‘O que acontece após a morte?’”
Se Craig Venter acha que a ciência deve fazer de tudo (quer dizer, quase tudo, pois agora desistiu de “criar vida a partir do zero”), menos envolver-se com questões que transcendam a matéria, soa um pouco contraditória sua colocação de que se o “pesquisador supõe que algo ocorreu por intervenção divina, ele deixa de fazer a pergunta certa” e que sem “perguntas certas, sem questionamentos, não há ciência”. Francis Collins caminha na direção diametralmente oposta a ele, e afirma que uma das “necessidades mais fortes da humanidade é encontrar respostas [o que pressupõe perguntas e não passividade mental] para as questões mais profundas”, terminando por afirmar que se realmente queremos respostas, “temos de apanhar todo o poder de ambas as perspectivas, a científica e a religiosa, para buscar a compreensão tanto daquilo que vemos como do que não vemos”. Assim, da certeza e empáfia demonstradas anteriormente, Craig Venter, ao ser inquirido sobre o fato de seu feito ter sido questionado entre a comunidade científica, passa a dizer que não criou vida do zero e nem pretendia, pois esse não é o seu objetivo. Quando a jornalista o perguntou se a recriação da “sopa primordial não traria respostas para muitas questões sobre a natureza da vida”, sua resposta foi bastante “pós-moderna” (na acepção discutida na obra Imposturas Intelectuais):
Acho muito importante entender a evolução da vida do planeta e do universo. O genoma sintético já nos mostrou como isso acontece: a vida é feita basicamente de um sistema de informação, de um software. Mas qual a importância de criar a vida como nos primórdios da Terra? Isso não vai fazer de mim um cientista melhor ou pior. Quando fazemos um bolo, não criamos o bolo do zero. Usamos ovo, farinha, açúcar e manteiga. Entendo que para algumas pessoas, só se possa afirmar que alguém criou vida quando, a partir de substâncias básicas, for possível pôr em funcionamento o processo automático de sintetização das proteínas que formam todos os seres vivos. Para isso, teríamos de voltar 3,5 bilhões de anos, porque as proteínas evoluíram também. Se eu posso converter uma espécie em outra totalmente nova fazendo um genoma sintético, por que partir do zero? Se eu tenho um Macintosh e quero transformá-lo em um PC, mudo o software, não construo um novo hardware. É preciso entender que o princípio da vida é o software. Em biologia, só esse software já é suficiente para transformar e produzir um novo hardware. Construir vida do zero é uma noção arcaica na ciência.
Observe que a jornalista já faz o questionamento partindo do pressuposto que houve uma “sopa primordial”. Antes de se pensar nas evidências da tal sopa! Uma vez que tal “sopão pré-biótico” nunca foi provado, qual a diferença entre esse tipo de crença e a fé cristã? Não é simplesmente uma questão de preferência e opção estritamente pessoais? Depois de tentar ironizar a grande ambição dos cientistas (inclusive das dezenas deles que estão na Suíça trabalhando há décadas), Venter afirma que se fosse para produzir vida a partir do zero “teríamos que voltar 3,5 bilhões de anos, porque as proteínas evoluíram também”. Como ele sabe que as proteínas evoluíram? Qual a sua certeza de que tudo iniciou-se há exatos 3,5 bilhões de anos? Só pelas observações do Hubble? Todas essas questões já estão sendo colocadas como fatos quando na verdade o questionamento deveria se iniciar com a veracidade de tais hipóteses! Mas como fazer isso? Seria preciso ter coragem para caminhar rumo às evidências, ainda que elas os levassem na direção contrária de suas propostas teóricas. É claro que é muito mais fácil fazer um bolo com os ingredientes que já existem (e com as milhares de receitas que já foram inventadas), e montar uma nova máquina simplesmente modificando o software e não todo o hardware. Entretanto, a manteiga, o ovo, a farinha e o açúcar são elementos que também precisam de respostas acerca de suas existências e, o mais importante, alguém para pensar a receita do bolo, analisar a temperatura do forno, escrever a receita e assar a massa. O software precisa de um criador também. Em outros termos, nenhum dos elementos utilizados nos exemplos surgiu por geração espontânea, acaso ou coisa que o valha! Na realidade, todos eles, indistintamente, assim como o experimento de Venter, pressupõem na pior das hipóteses, um Inventor!
Portanto, não acho simplesmente “arcaico na ciência a noção de que ela pode construir vida do zero”, penso que é algo fora dos seus limites e um grande despropósito. Agora, se alguém não percebeu a falácia, então permita-me auxiliá-lo: Se a vida não pode ser construída, produzida, criada — ou seja lá qual for o verbo que se queira usar —, então o nome disso não é vida! Se o que Venter fez foi, como ele mesmo disse, apenas “uma nova forma de vida a partir de outra já existente” e, em suas próprias palavras, “Isso não significa que criamos vida artificial”, então o alarde todo foi em função de quê? Deu mais notícia do que o próprio mapeamento do genoma humano! Por que, depois de se perceber que não fora vida que havia sido criada, ninguém mais tocou no assunto? Após cair na “boca do povo” já era. A única impressão que dá, é que só porque Venter é ateu e, como ele mesmo disse, tem “fé em Darwin”, qualquer coisa que fizer virará notícia e dará uma grande reportagem. Mesmo que ele realize algo mais trivial do mundo científico, renderá páginas e manchetes jornalísticas, pois a grande mídia é atéia, agnóstica e antinomianista. Se uma teoria que pretende explicar tudo, não consegue “produzir vida do zero”, então é muito mais sóbrio e honesto que ela seja repensada e não forçosamente empurrada de “goela abaixo” nas escolas, universidades e na grande mídia. Em outros termos, ela não conseguiu ainda produzir sua maior façanha para que se comprove sua veracidade, logo não pode ser ensinada como verdade, mas unicamente como mais uma das inúmeras hipóteses que existem, estando abaixo, em pé de igualdade ou num nível superior em relação às demais. Mas essa classificação não pode ser feita pela mídia, pelos políticos, pelo povo e nem mesmo pelos cientistas. O seu real árbitro são as evidências. A teoria corresponde às evidências e aos fenômenos observáveis? Somente após responder essa indagação é que se pode atribuir-lhe o status de mais ou menos coerente, verdade absoluta ou provisória. Antes disso, existe apenas a simpatia dos vários segmentos por essa ou aquela teoria e/ou corrente do pensamento. O grande problema é que os canais difusores da cultura não deveriam demonstrar apreço por nenhuma (mas se o fizesse que então optasse, no mínimo, por aquela que estivesse mais próxima da coerência), mas se limitassem a divulgar todas, indistintamente, sem fazer nenhum show pirotécnico em torno de sua preferência. Isso daria condições de as pessoas avaliarem com um pouco mais de “autonomia” a coerência de cada uma delas.
Craig Venter disse em suas últimas palavras que se “os cientistas se deixarem guiar pela imaginação, em vinte anos teremos inaugurado um período de inovações revolucionárias”. Retomando a ideia acerca da distinção entre contexto da descoberta e contexto da justificação, como disse Sandra Bizarro, o “cientista pode até chegar às suas hipóteses através de alucinações e sonhos. No entanto, a justificação das teorias deve ser racional, mesmo que essa racionalidade não possa ser codificada de uma forma definitiva”. Assim, se Venter quiser pensar nas hipóteses mais mirabolantes que a sua imaginação proporcionar, que fique à vontade, só não esqueça de que entre a “descoberta” e a justificação racional dessa, há um grande abismo chamado realidade. Mesmo a mídia sendo declaradamente apaixonada por todo o tipo de teoria ou experiência que ameaçam a crença em um Criador, muito me alegrou a resposta de Venter à pergunta em que a jornalista afirma que ele é ironizado pelos cientistas pela sua pretensão de querer ter o “mesmo papel de Deus”: “Acho muito melhor o papel de Darwin”. Se ao menos os cientistas pós-modernos — a exemplo de Craig Venter — desistirem de querer ser Deus, já temos um grande avanço.
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COMENTÁRIOS
De: PASTOR JEAN NASCIMENTO
Comentario: QUERO GLORIFICAR E EXALTAR A TRINDADE SANTA POR SUA VIDA,NOBRE COMPANHEIRO,ESTAMOS JUNTOS NO INTUITO DE ABRIR O ENTENDIMENTO DESTE POVO,QUE DEUS CONTINUE TE USANDO PROFUNDAMENTE NA CIÊNCIA DA PALAVRA!!!De: Washington Silva Nascimen
Comentario: Louvo a Deus pela sua vida e orarei para Deus continuar dando sabedoria e conhecimento para transmitir para o seu povo.De: Israel Mendes - Ex Aluno
Comentario: Quanto tempo professor! Quero que saiba que sempre leio seus artigos que muito me enriquecem. Pena não poder mais estar como estudante junto com os demais alunos do curso de Teologia da Faecad, mas sou grato a Deus pelos momentos inspirados, sempre jogando um pão de queijo nas questões epistemológicas, (risos) que tive em suas aulas. A paz do Senhor Jesus e continue sempre sendo usado para acalmar os mais retetés. do Ex-Aluno e amigo, Israel MendesDe: César Moisés
Comentario: Prezado pastor Almiro, que surpresa agradável ter a honra de um comentário do senhor nesse espaço. Foi uma alegria muito grande conhecê-lo aí na Alemanha e agora, por saber que o senhor está definitivamente engajado no trabalho pastoral dos nossos irmãos germânicos. Sempre que puder, acesse esse espaço, pois na medida do possível estaremos postando mais artigos. Um grande abraçoDe: Pr Almiro Roberto Lucht
Comentario: parabens companheiro pela materia fico feliz que temos homens do seu gabarito na igreja para esclarecer assuntos tao importantes, cotinue assim lutando pela causa do Mestre. estou na Alemanha na Cidade de Gera perto de Braunschweig um Abraco Almiro. (aqui o teclado é Alemao desculpe)De: César Moisés
Comentario: Olá Marly, Li o seu comentário no Goionews e fiquei muito feliz. Até postei um agradecimento lá para você. Que bom saber que você está bem. Acesse sempre que quiser esse espaço e o meu blog. Deus continue te abençoando.De: Marly Barreiros Dos Santo
Comentario: Oi César , sou eu Marly da Faculdade FECILCAM, vi a notícia no goiowens do Premio que vc recebeu e outras notícias sobre vc, fiquei muito feliz em saber que vc muito bem fazendo o que sempre quis e sabe fazer muito bem. Tavendo eu dizia pra vc na faculdade ( vc vai ter seu talento reconhecido um dia, que bom que esse dia ja chegou) Vi foto de sua família linda, a Sefora ta uma moça linda, parabens. Fico aqui torcendo sempre por vc, Abraços com saudades!! Ha eu não escrevi nenhum livro masDe: DANIEL
Comentario: A PAZ ,O TERMO AO SENHOR E O PRICINPIO DE TODA SABEDORIA,MAIS OS LOCOS DESPREÇAO